segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As Leis em Falência

 

Este artigo é conexo com o anterior. Ajudar-lhe-á a entender melhor qual era o contexto que havia em a “Triste Lida”.

As leis em falência

KY - Lei Manipulável

Permanecer preso a um setor de trabalho, por mais “sensato” que possa parecer, é, quase sempre (senão, todos as vezes), um obstáculo ao crescimento, um subterfúgio da mudança, piegas pielas dos embriagados por ilusões. É a fuga do conhecimento de um novel, e é esta: igual lugar-comum. Onde não se assenta o desenvolvimento do conhecimento, que acabará estancado pela engrenagem feita de estacas no ponto exato da dor do arrependimento. Taí uma das razões do “onde”, em vez do “aonde”: a falta do avanço!

Como se estivéssemos moldando as circunstâncias exteriores a nosso desfavor, sem mover sequer um dedo. Sem nenhum medo. Entrando numa espécie de limbo emocional, ao buscarmos manter condições que não mais toam. Não é à toa que, rigorosamente, pagamos um preço incômodo pela nossa comodidade: o estorno do arranjo mental. Quantos irão adoecer ou já adoeceram?! Quantos não ficam transtornados e, apesar disso, continuam… cometendo o mesmo vício do fazer estação na alienação. De adotar nos braços um vaso de noite, vomitando-o com suas dores e lamúrias da amargura, que ecoam.

Deixamos de abrir espaço, pois, para que oportunidades diversas floresçam depois. Usamos fixamente uma armadura! Mesmo sabendo ser inútil a ostentação desta nesta nossa luta. Haja vista que o sol queima, queira ou não queira, queima. Ele usurpa às células da nossa pele por meio de uma fogueira, nesse caso figurado, advinda da Lei da Condução Térmica. Não há barreira para este temedouro alourado.

Entretanto, insistimos! Quase como uns condenados. Batendo com a cabeça na parede, atacando nossa mente com perguntas sem resposta, permanecendo… A diferença é que não impetramos a liberdade, desse jeito. E seguimos repetindo os erros, ausentes.

Abrindo e tapando buracos, administrando dor e confusão em pequenas doses semanais, na lide deletéria. A deletrear palavras como “desertando”, na maior tardança. A dançar no gelo, próximo ao báratro, resvalando em desacertos como os da “culpa”. Culpando a si mesmo, por não querer mudar de lado. Achando que o distinto possa ser mais feio ou perigoso, nunca “mais perfeito”. Como somos medrosos e lerdos! Quando fartos, agimos fátuos, como num surto. Tão-logo esse sentimento de raiva passa, a gente volta o pé para velha casa, por pura cobardia, e puro absurdo! Nutrimos os fardos, como num processo obsessivo-compulsivo. Ficamos dentro da prisão sob a condição da esperança fútil, de poder – um dia… ­– mudar algo imutável: Que os chefes comem do mesmo cocho!

Que os chefes comem do mesmo cocho é o que muitos aí, entre nós, andam dizendo… e com tamanha fidúcia. Só não sabendo que quem coxeia mais é quem se faz de cocho, e os alimenta. Somos ingênuos a ponto de acreditar que poderemos resgatar algo de bom, ao fazer isso, neles. Sonhar que o gerenciador do nosso local de trabalho poderia reparar danos causados … eita, ledo engano! Porque mesmo trazendo a pessoa de volta ao nosso convívio, no ganha-pão, parece que não notamos a bomba permanente ali, tiquetaqueando, esperando uma oscilação qualquer para nos fazer explodir. Novamente.

O problema, que essa minha lógica deixou escapar, é o fato de que tudo, invariavelmente, muda. Tudo. E o relógio às vezes falha. E a gente, tristemente, se acomoda nas garras da injustiça, em sua iteração, em seu tornar a vir. A gente não explode, como deveria; e se o faz, é explosão branda, na hora mais errada do dia. Nós deixamos tudo por isso.

Por isso, os superiores hierárquicos nos subjugam, nos exasperam, nos conspurcam e nos enterram no ajoujamento. Sem condoerem-se de seus subalternos, eles sobem em cima mesmo! E não perdem o tempo e o feitio, em seu suntuoso alojamento. Enquanto a gente que colha suor e sintomas psicossomáticos brotados do enjaulamento. Já que aqueles, ao invés de simplesmente nos permitir nascer com qualidades que encantem olhos outros, infelizmente nos dão o pior nascimento possível. Alheios ao nosso “traque”, seguem surdos, em seus esconsos e descanso esplêndidos.

Eu e você ficamos apagados, desistimos do mundo, esquecemos de observar a beleza primordial das coisas ao nosso redor. Revestimo-nos de defeitos, estagnamos voluntariamente diante de belas oportunidades. Apenas para sofrermos mais à frente ao ver nosso campo de ação cada vez mais reduzido. Geralmente porque nosso corpo, a qualidade das nossas relações ou nosso brilho natural decaiu. Perdemos a capacidade de ficar fascinados!

O que efetivamente muda, é isso: nossa forma de ver o mundo e as pessoas. Que a liberdade dada pelos líderes restringia-se àquilo que os agradava, multiplicando-se o adágio. Que os recursos humanos consecutivamente se ocultavam. Mais impassíveis, impossível! Menos plácidos, dificílimo! As leis em falência, então com cordéis e engoços, eram distorcidas e manipuladas. O nome delas, devendo ser diverso: o de falácias. Porquanto o objetivo, o mais notório: favorecer e inocentar os mais poderosos.

Afinal, o que vale é o peso das pessoas, sua “importância”, suas prerrogativas. O conjunto de direitos de um superior, em relação aos dos seus subordinados, nunca foi dímero. A balança sempre incorreu para o primeiro citado, o que manda no caso. Num total descaso, que virou regra e não veneta. Lei da rolha. Ação veemente de controle, abuso e violação de nossa mente. Invasão, colonização, pelo assenhoreamento. O que provoca, sonoramente, o meu maior enojamento. Lamentoso, lastimoso!

Sabe, senhores e senhoras, eu desabafo: têm momentos em que a corda arrebenta, pelo reteso, devido a tensão ser maior do que a gente é capaz de sustentar. E quando a fasquia do salto – meta da chefia – é muito alta, inalcançável, a vara se quebra. Em mil pedaços! Eu ainda não engoli, por exemplo, o meu fracasso nas notas da Avaliação de Desempenho em Estágio Probatório que recebi (e recorri), no mês retrasado. Eclodindo o desprezo não só por quem me avaliou, como também pelo Recursos Humanos, por ressaltar a evidente falta de treinamento dos servidores de cargos elevados.

Minha única dúvida, agora, é se as pessoas que vão ler o meu Recurso [que talvez exponha em outro artigo] têm condições de interpretá-lo!!! (Considerando a falta de siso de nossos dirigentes). Talvez fosse mais apropriado um texto não insólito: cheio de erros de semântica, de concordância, de gramática, como os que a gente encontra nos ofícios, e despachos exarados pelos nossos ilustres gestores. ¬¬

E o meu único medo é outro: jazer no mesmo setor. Afinal, já dizia o Sócrates, "não está ocioso apenas aquele que não faz nada, mas também aquele que poderia fazer algo melhor."

 

Thúlio Jardim. Recife, 17 de janeiro de 2011.

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