quarta-feira, 14 de julho de 2010

Liberdade: As “minhas” conjeturadas Férias

 

KY - Evolução Robótica

No livro “BLOG – Entenda a Revolução que Vai Mudar seu Mundo”, escrito por Hugh Hewitt, mais precisamente em seu sub-capítulo “O Blog do Empregado”, fala-se que, na nossa época - tão generosa com as falhas alheias -, nós superestimamos os riscos de escrever certos textos oriundos, muitas vezes, unicamente do nosso livre pensamento. Para ele havia muito receio, inclusive de ordem jurídico-criminal, quando se desejava redigir algum assunto que podia ser ofensivo para alguém ou alguma classe social. Qualquer que fosse o público ao qual se dirigiria determinada palavra, sempre pairava alguma dúvida de como seria a receptividade, e, um pouco mais a frente, ele declarava que sempre “há muito tempo para começar”, quando o assunto é a vontade de entrar na blogosfera.

Eu, particularmente, acho que comecei muito tarde! Mas não levem em conta a minha desatenção, por favor. Nem o meu caso. Se você é jovem ainda, não se iniba, você pode começar agora, diferentemente de mim, e tratar de assuntos iguais ou tão mais polêmicos e reais quanto os que a gente traz aqui – até com mais carinho!

¿Por qué no le gustaría?!

E por que não se armar da escrita e de boas leituras, então? Debata, reflita, critique, analise, e discorde (ou não) da minha criatura. Nessa data, 14 de julho, mundialmente conhecida como DIA DA LIBERDADE DE PENSAMENTO, precisamos encetar sérias reflexões sobre o significado da Liberdade, sobretudo, dessa daí. Embora o ápice da liberdade se materialize com a manifestação de expressão, seja na escrita, na pintura, na escultura, na dança, no teatro, na música, enfim, em qualquer que seja a manifestação, a grande verdade histórica que emerge em tudo, é que - quase sempre - nos é negado o Direito a liberdade de expressão, decorrente da liberdade de pensamento.

O cerceamento mais notório nos dias atuais - e mesmo no contexto histórico - sempre foi contra a escrita, embora artistas plásticos e escultores também tenham sido alvos da fúria inquisitória. O curioso é que - com todos os avanços no campo da liberdade de manifestação, no bojo dos avanços atinentes às liberdades individuais, o cerceamento à liberdade de escrita continua gerando manifestações de toda ordem. De forma simples e válida, a meu ver, voltando aos ensinamentos de Hugh Hewitt, em seu livro sobre Blogs, o “texto que é livre de ódio e obscenidade dificilmente pode ferir". Ele vai além: “(…) em uma época que compreende a informação, há uma imunidade quase que instantânea se o alvo estiver sendo atacado com texto e não com áudio ou vídeo”. Até acho um exagero, nesta parte. Mas ainda é impecável a escrita desse colega.

Compreende-se, entretanto, boa parcela dessa repressão na medida em que invocado, o Poder Judiciário precisa posicionar-se no sentido de restituir supostos direitos lesados pela escrita. Acaba - assim - sempre havendo intervenção do Estado nas relações que deveriam ser livres e reguladas pelos próprios órgãos de imprensa. O que todos os produtores da escrita insistem é que não se trata de pugnar pela exclusão do poder judiciário na restauração de danos e no reestabelecimento do contraditório. Ninguém é tolo a ponto de propor um disparate dessa natureza. Mas se trata - sim - de minimizar essa intervenção estatal que acaba se constituindo num grande entrave à liberdade de imprensa, de expressão e até de opinião. O indivíduo se anula pela coerção estatal e como grassa a mediocridade, poucos têm coragem de fazer o enfrentamento com esses e essas que se acham intocáveis e arrogam-se na condição de ditar normas de condutas sociais, interferindo até no entendimento do conceito de liberdade, arbitrando entendimentos que não são consensuais em parte nenhuma do mundo, exceto nas ditaduras de esquerda e de direita.

Vim saber somente há pouco, por um terceiro, e via twitter (que eu nem tenho), que hoje era o “Dia da Liberdade de Pensamento”. Fiquei contente. Pois achei que isto suscitaria a oportunidade de escrever um texto do meu amigo Thúlio Jardim, o qual estava bastante relutante em fazê-lo. Dizia-me: “Deixa a poeira baixar. Tá muito recente…”. Não podia eu imaginar que logo hoje teria a grande chance de convencê-lo, e revelar o texto. Eu argumentei com o conteúdo do artigo XIX, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, após ter lido minuciosamente o tópico “A Liberdade de Expressão e Comunicação na Internet”, este escrito por Hugo Cesar Hoeschl. O referido artigo de lei dizia o seguinte:

Artigo XIX:

"Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras." (destacado do original)

 

E como “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, eis que eu estou aqui me identificando claramente como autor dos dizeres supramencionados, excetuados apenas a lei e o texto do meu amigo Thúlio, este que reescrevo quase sem alterações, logo mais abaixo. Foi texto dirigido, formalmente, ao Gerente de Recursos Humanos do Órgão ao qual ele serve. Fiquei decepcionado fortemente com o que ocorreu com ele, durante as suas MERECIDAS FÉRIAS. Bateu no íntimo, meu! Poxa… Pensei mais, e depois, quando ele me falou ter conversado com a pessoa que lhe “negara providências” durante o procedimento solicitado anteriormente, por intermédio do seu irmão mais velho, que meu amigo tinha toda a razão desde o princípio. E que a pessoa com quem ele trabalha e que “ignorou os anos de convívio e profissionalismo” - demonstrados sempre! - deva ter entendido ao pé da letra a expressão “lavou as mãos” [leia o texto adiante]! Tamanha é a falta de asseio dela :p.

Omitirei, a pedido do meu amigo, alguns dos nomes e dados pessoais. Mas não saltarei nenhuma das falas dele, por mais que algumas possam parecer trazer consigo pensamentos nocivos e venenosos, que, se assim o fosse de fato, certamente implicaria em resultados catastróficos. Só lendo mesmo, para que vocês possam entender melhor o drama:

 

 

Senhor Gerente de Recursos Humanos:



O meu nome é Thúlio Carvalho Bedôr Jardim. Sou assistente de trânsito do DETRAN-PE, lotado no Serviço de Protocolo Geral. XXXX-X [ocultado] é o meu número de matrícula.

Por descuido e não por negligência, anotei errado o mês no qual me ausentaria durante as férias. Pensei que as mesmas seriam gozadas agora, no mês de Junho. Com essa convicção em mente, viajei para a casa dos meus pais em Floresta, no sertão do Estado. Para minha surpresa, no dia 17 de Junho recebi um telefonema do meu irmão Thiago, que também trabalha conosco aqui no DETRAN. Ele avisou-me que Dona Noêmia, que comigo trabalha no setor de protocolo, o havia chamado para conversar sobre o meu descuido. Ela orientou o meu irmão a ir falar com o senhor a respeito da possibilidade de se efetuar a troca do meu mês de férias de Julho para Junho, a fim de que eu não fosse prejudicado com o respectivo desconto no meu salário dos dias em que faltei ao serviço. Atendendo ao pedido de Dona Noêmia, Thiago se dirigiu até o seu gabinete na quinta-feira dia 17.

Disse-me o meu irmão que o senhor foi muito gentil e demonstrou-se propenso a ajudar-me, efetuando a troca do meu mês de férias. Obviamente porque era fácil perceber que tudo não passou de um lapso meu, posto inclusive que, oralmente, havia frisado aos meus companheiros de trabalho sobre a referida ausência no mês de Junho. Porém, de acordo com o relato de Thiago, o senhor solicitou que ele pedisse a minha chefe imediata, a senhora Ângela Maria [o nome é fictício, e você já vai entender por quê], que entrasse em contato contigo, por telefone ou pessoalmente, dando-lhe o aval para a realização da mudança por mim almejada. Thiago então procurou a senhora Ângela Maria e pediu-lhe que entrasse em contato com o senhor. Infelizmente, a nossa colega Ângela Maria, por razões que desconheço, “lavou as mãos”, negando-se a me ajudar.

Causou-me espanto essa postura de minha chefe. Afinal, no setor em que trabalho há somente quatro funcionários, e um deles tirará férias em Julho. Fica evidente, assim, que alguém mais errou, e não só eu no momento da solicitação das minhas férias. Haja vista que, conforme aprendi com minha própria chefe, sendo lei ou não, não me era permitido tirar férias simultaneamente a de outro colega, fazendo-se necessário pelo menos 2/3 (dois terços) dos servidores trabalhando em cada setor. No caso, se eu e minha colega (é mulher) fôssemos entrar de férias no mesmo período, restariam apenas 2/4 (dois quartos) de funcionários, o que já é inferior ao estipulado. Penso ainda, como outro colega do DETRAN muito amigo meu diz, que “não é preciso desenhar para entender certas coisas”. No entanto, algumas pessoas transformam até os desenhos mais simples em verdadeiros geóglifos.

Ressalte-se, afora isso, que somente no dia 17 fui avisado de meu equívoco. Por que tamanha demora? Viajei no dia 7 para Floresta. Se tivesse sido advertido de imediato, teria prontamente retornado ao serviço. Entretanto, como foi longo o intervalo de tempo transcorrido até a minha efetiva ciência do que se passava, levei um elevado número de faltas, o que tornou delicada a minha situação. Para piorar, encontrava-me viajando, a aproximadamente 440 quilômetros de distância do Recife.

É por isso que escrevo-lhe, Senhor Álvaro: para que o senhor me ajude a contornar esse problema, procedendo a permuta do meu mês de férias de Julho para Junho. Repito: tal mudança será muito bem-vinda para o meu setor, considerando-se que em Julho outra colega estará de férias.

Errar é humano, todos sabemos. Só quem nunca errou na vida foi a senhora Ângela Maria. Essa é a conclusão a que chego após o tratamento a mim dispensado por ela. Prova disso, de que todo mundo erra, foi o equívoco dos meus nobres pares dos Recursos Humanos, acontecido no ano de 2008. Naquele ano, fui acometido por um grave problema de saúde, tendo ficado afastado de minhas funções entre os meses de Janeiro e Outubro. Mesmo estando de licença médica, o DETRAN deu minhas férias como tiradas normalmente, conforme a escala já acordada no ano anterior. Ninguém, nem minha chefe Ângela Maria, nem meus estimados colegas dos Recursos Humanos, cancelou o prévio agendamento de minhas férias que havia sido feito. O correto seria isso: suspender as minhas férias e aguardar o meu restabelecimento, para que eu então optasse por um novo mês para usufruí-las. Mas a verdade é que até hoje nunca gozei aquelas férias, estando o DETRAN em dívida para comigo.

Gostaria que o senhor, em atenção a mais esse argumento, procedesse a permuta do meu mês de férias. Assim procedendo, ficaria um erro pelo outro. Do contrário, caso o DETRAN prefira descontar do meu salário os dias que faltei agora em Junho, mantendo as minhas férias para Julho, gostaria de saber como ficará o débito que o DETRAN tem comigo relativo àquelas férias de 2008. Há duas opções: ou o DETRAN me paga em dinheiro, ou me concede um novo mês para gozar as férias de 2008. De antemão, aviso que em sendo esta última a opção do DETRAN, desejo tirar estas férias no mês de Dezembro próximo. Li detidamente o Estatuto do Servidor do Estado - LEI Nº 6.123, DE 20 DE JULHO DE 1968 -, notadamente o capítulo V, que trata das férias, e o capítulo VI, que trata das licenças. Em artigo algum consta ser lícito me tirar o direito as férias em virtude da concessão de licença médica. Logo, não é lícito ao DETRAN alegar que perdi o direito as férias em virtude de minha licença para tratamento de saúde.

 

Respeitosamente, peço deferimento.

 

 

 

[assinatura]


THÚLIO CARVALHO BEDÔR JARDIM
MATRÍCULA XXXX-X

P.S.:

          Para evitar mais descontos no meu salário, em caso de indeferimento do pleito que agora faço, retornarei ao trabalho hoje (28/06/10), já que não sei quanto tempo levará para a decisão deste requerimento.

          Estarei acompanhando atentamente o processo. Se necessário for, entrem em contato comigo pelo ramal XXXX [ocultado].


__ X __

 

 KY - Ser ou Não Ser... Robô

O texto terminou assim, com esse P.S. A verdade é que Thúlio não trabalhou no dia 28, tamanha foi a celeridade que o Gerente de RH dispensou ao assunto. Pouco menos de uma hora depois da entrega do documento, ele já recebera um telefonema. E, naquele mesmo dia, tudo já se encontrava completamente resolvido. Ao final, além dele ter garantido as férias de junho, - pasmem! – ele “ganhou” outras a serem gozadas posteriormente, neste mesmo ano de 2010.

Ficou extremamente agradecido ao Gerente de RH e aos demais colegas daquele setor, em especial a “Dôra”. Contou-me ele o quanto achou que a chefe teve a chance de ajudar e demonstrar liderança, e não o fez. Além disso, eu mesmo lhes pergunto, amigos internautas: Liderança é só pras horas boas?! Funcionários são máquinas que nunca erram?

Disse-me, ainda, que a expressão “lavou as mãos” foi posta a pedido insistente do seu próprio irmão, já que, na época, Thúlio estava muito distante do órgão, e o seu consangüíneo fora, assim, a pessoa a quem ele “delegou” plenos poderes de tentar resolver aquela questão-problema. Para ser franco, não era para ter sido nenhum problema. O caso era simples demais de resolver, bastando uma troca de “letras”. Junho e Julho são meses de grafia extremamente semelhante, sem mencionar o fato de serem contíguos [Thúlio disse que não citou isto no documento porque achou o argumento “fraco”. No meu ver, não é. É apenas um argumento “evidente”, por isso para que citá-lo?!].

Abertamente, não era necessário o titubear da chefe. Esta se preocupou mais em evidenciar os erros do meu amigo, como os de “não assinar a ata das férias” e “não notar o 1/3 (um terço) a mais que entra no salário normal em razão das mesmas”. Podia ter tentado, ao invés disso, mexer as pernas, levantar do assento, sair do pedestal; ou, pelo menos, fazer uma ligação para o Gerente. Nada difícil! Até porque a única “mullher” que eu aceito em cima de um pedestal… é a Estátua da Liberdade.

 

 

 

Low. Recife, 14 de julho de 2010.

 

P.S. (este é meu, ora pois) - Depois de terem lido isto tudo e até aqui (o que já me impressiona!), vocês certamente devem ter pensado ou dito o seguinte: leia aqui… :-#

Quase todos falam palavrão; quando não falam, pensam”, afirma Souto Maior, não sem razão. E você, colega camarada, fez um dos dois - ou os dois! Apenas falta saber se foi antes ou depois de ter visto o link leia aqui.

 


Link de referência:

Blog do Júlio Prates | 14 DE JULHO. Dia Mundial da Liberdade de Pensamento.

2 comentários :

Hélio disse...

Perfeito. Texto corrido, bem redigido,simpático, organizado, saboroso de se ler! Como todos as outras composições suas. Parabéns!!!

Low disse...

Externo aqui a minha gratidão. Você dizendo que o texto ficou corrido, que legal! Pensei que o havia deixado muito grande. Mas não é bem isso o que parece. Que bom!!!

Thúlio também agradece o seu carinho demais. Volte sempre, amigo Hélio!

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