quinta-feira, 15 de julho de 2010

Férias e Outras Conversas…

 

KY - O Robô e O Pensador

Ontem, meu amigo Low escreveu, sobre as minhas férias, um texto um tanto ácido. Eu tive de refletir, matutar, esperar… Eu realmente me debrucei sobre aquilo. Atentei-me tanto, que resolvi pensar feito um condenado se eu (ou ele) não havia condenado demais a chefe de trabalho. Em voz alta, indaguei-me: “Você, Thúlio, é bom quando você quer dizer a que veio? Isto é, você é capaz de expressar sua personalidade, sua ousadia, assim como fez ele, o Low, sem nem um chuvisco de medo?”. É… realmente difícil conseguir o mesmo resultado dele. Por isso gosto muito desse cara, como se fosse uma extensão de mim.

Low tomou de forma tão pessoal o que se sucedeu comigo, detonando assim uma fúria e a sua visão do caso em si, que, embora baseado inteiramente no meu relato, deixou transparecer claramente a sua posição; Apesar de estar do meu lado. Razão pela qual achei mais ajustado eu expor a minha sensação, quando escrevi aquele requerimento ao Recursos Humanos (RH), e aonde queria chegar com isso. Restando, para mim, divulgar mais alguns oportunos esclarecimentos:

 

O comportamento do Low

O comportamento de Low levou em conta, em primeiro lugar, o meu bem-estar. É fato! Também levou em consideração os leitores deste espaço. E, com obviedade, a preocupação que ele tinha em deixá-los a par “de um absurdo”. Em uma situação assim, a gente não canaliza muito bem a nossa energia, acaba sendo agressivo mais do que se deveria. Descarregando sentimentos pesados, frases amargas! Que acabam estrangando o que se iria dizer.

Além do mais, a narrativa dele teve como supedâneo apenas o meu relato; que, por sua vez, teve seu fundamento todo feito a partir de um outro relato: o do meu irmão mais velho. Disso nota-se, claramente, que a força da narrativa poderia ter seu valor como “pouco pronunciado” ou débil. No entanto, concordo que jamais considerada como falsa, ou sem fulcro algum, poderia ser!

 

Um cara profissional

Em virtude do exposto, decidi conversar um pouco mais do assunto com ele. Exortá-lo a estar do meu lado, mas completamente. Pois não sou tão enérgico, quase hostil. Demonstro ser um cara profissional, pelo menos acredito piamente nisso. As sensações e sentimentos que exporei nesse blog serão tantos, e inda assim vocês verão de mim apenas uma nesga. Dessa forma, não tirem conclusões precipitadas das minhas falas. Eu, ditando Eliane Brum, cheguei a questionar o Low  - e a mim mesmo em pensamento: "(...) Como você pode ter certeza de que aquele que aponta o mal no outro não é o demônio que há em você?". Então precisamos ter cuidado no que dizemos, é isto que versa a mensagem escondida na pergunta referida? Acho que sim, realmente. Por via das dúvidas, é melhor ir com um pé de cada vez…

 

Cuidado com o orgulho (topete)…

Para não deflagrar uma empáfia, seria bom “maneirar as coisas”, eu disse. Só não sei se daria nem para eu seguir o meu conselho. Já que também sou orgulhoso, e não deixo que me cutuquem, me critiquem. Pois continuava dardejante em mim a lembrança da conversa que tive com a minha chefe, na última sexta-feira, dia 9. Durante aquela “acareação”, tentei envidar a minha opinião para ela. Não deu muito certo, agiu feito uma zote. Num tom de quem diz “esse rapazinho é topetudo”, ela mostrou todo seu descontentamento: “Não esperava isso jamais vindo de você, Thúlio!”, esbravejou. Eu apenas emendei: “Também não esperava ouvir o que o meu irmão me relatou…”. E o debate continuou. Dessa vez, a superior dela – que estava na minha frente – tentou amenizar o embaraço “causado por mim”, e explicar que a colega em momento algum “lavou as mãos”, tento se empenhado bastante. Inclusive, pondo mais lenha na fogueira – e em minhas mãos ¬¬ –, a minha chefe quis deixar o ônus da prova todo comigo, vejam só: “Você tem como provar que eu ‘lavei as mãos’!?”. Nem hesitei, prossegui com um discurso que mais parecia decoreba: ─ O meu irmão jamais mentiria para mim, a expressão foi dele e ele que persistiu na idéia de deixá-la no papel, preto no branco. Eu confio na índole do Thiago… Nessa hora, mais uma interveniência da chefia superior a ela. E os escarcéus de emoções se abrandaram.

 

Direito de defesa

KY - Honestidade de Político A chefe da minha chefe aceitou que eu, deveras, merecia as férias que não logrei em 2008. No entanto, deixou claro que iria colocar no despacho que a colega dela jamais se evadiu de suas responsabilidades. Eu não discordei da idéia, naquele instante, porque até a minha chefe tem todo o direito de se defender. Eu, ao contrário de muitos, respeito o princípio de que “todos são inocentes, até que se prove o contrário”. Até os políticos corruptos são, não é!? Haha… E o ônus da prova só é da gente nos casos das multas que o Detran nos aplica – muito cômodo, muito conveniente, no meu ver de cidadão habilidado :p.

 

Hierarquia ≠ “Hierodoulia”

KY - Thúlio - O PalhaçoDado isso, só não poderia dar uma de tolo para minha colega! E aceitar tudo calado. Não estou na Antiga Grécia, para ser um hierodulo (do grego, hieródoulos. “hieros” = sagrado; “doulos” = servo) . Tampouco deixo de respeitar o que é a hierarquia (do françês, hierarchie. “hieros” = sagrado; “arché” = comando, autoridade) - E não é isso! Eu sei bem…

Inevitavelmente, a atitude despicienda da minha chefe causou estranheza não só a mim, mas a todos que porventura ficaram a par do ocorrido. Eu fiquei me sentindo um verdadeiro palhaço [veja a foto ao lado, tirada numa das greves do Detran, de 2009], e muito constrangido. Depois de tanto tempo trabalhando feito um maluco, seguindo ordens nem sempre agradáveis, fui apunhalado. E o sangue respingou nela, que, sagazmente, “lavou as mãos”.

 

Entregue ao Deus-dará

Se não fosse o problema que me aconteceu em 2008, durante a minha Licença Médica, eu estava entregue “ao Deus-dará”. Tava, literalmente, FERRADO! Haja vista que eu levaria mais de 14 dias úteis de faltas [considerando a minha ciência como sendo no dia 17/06/2010], em virtude de ter me antecipado, no mês de Junho, quando achei estar de férias. Não que eu seja carente, ou que fosse passar por grandes privações; o que doeria em mim seria de natureza psicológica, no tocante a minh’alma. Poderia, inclusive, ter sofrido um processo disciplinar por abandono de cargo, ser demitido! Aí sim, seria imensa a frustração. Posto que eu dificilmente conseguiria convencer, sem o aval da chefe imediata, o RH a trocar o meu mês de férias, assim de supetão, alegando tão-somente que errei na hora de escrever. Troquei as letras! Como ficaria eu, daí em diante? Jogado às baratas??? Não sei como que eu ainda brinquei com isso tudo, é verdade!

 

Apontando “culpados”…

Cheguei a colocar a culpa do evento todo em cima de minha namorada [rsrs…]. Como se eu tivesse feito tudo que fiz por uma “loucura de amor”, semelhante ao que se via no SBT, antigamente. Corri o risco de ficar desempregado, POR ELA! Que “lindo”, não!? Junto a isso, pensei com meus botões: nada melhor do que o clima de copa, aquela ansiedade, aquela euforia, aquele amor, para aliviar um pouco a dor que se originou em meu coração, por aquele momento.

 

KY - Sentimento do Robô 02

 

Eu não sou de aço, e se fosse o super-homem preferiria enfrentar até a Kryptonita. Seria mamão com açúcar… ;)

 

 

 

Thúlio Jardim. Recife, 15 de julho de 2010.

 

 


Link Recomendado:

Estresse no trabalho e seus transtornos [em inglês]

2 comentários :

Hélio disse...

Perfeito, TJ! Concordo com vc quando diz:"Não sei como que eu ainda brinquei com isso tudo...".Vc é uma grande escritor, TJ! Essa capacidade de transformar os dramas do dia-a-dia em crônica é apenas para os 'grandes'.Texto bonito,bem redigido, coeso! Por essa e outras razões sou teu fã!Abraço grande!

Thúlio Jardim disse...

Adoro sempre sua abordagem, amigo Hélio! Você traz contigo muito conteúdo para as minhas postagens. Às vezes transformo o texto e as situações sem nem me dar conta. E você me lembrou que, nas situações dramáticas, é que eu aprendo mais e busco dentro delas (e de mim) o há de bom.

Obrigado por isso!

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