terça-feira, 20 de julho de 2010

A Amizade Dignifica O Homem e A Mulher

KY - Um ''intruso'' no quarto
“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.” (Vinicius de Moraes)

Por coincidência (ou não…), hoje além de ser o

Dia do Amigo,

também é o dia em que eu recebo o meu vencimento, no órgão público em que trabalho. Então, existiria melhor amigo que esse!? Maior e mais dignificante amizade do que a que se tem com o dinheiro!? Pois não, claro que há: Os cachorrosos animais, de uma forma geral, são amigos muito fiéis aos humanos. Sim! Amizade sincera, fidedigna; Pura, que dura, perdura sem interesse algum, que não seja o simples afeto do seu dono. Que jamais é decídua, mais é decidida em permanecer além dos obstáculos. Além da morte! É boa relação que nunca quedará depois de qualquer golpe, bordoada de raiva ou decepção nem muito forte entre as partes envolvidas. E como são envolvidas! O animal pula de contentamento quando nos vê. Ah, quanto sentimento…! Tinha, inclusive, uma queda em retribuir aquela lambida que o meu cachorro Lyon (pronuncia-se “láiom”, derivação da palavra inglesa Lion) me dava quando eu era pequeno. Pena ele ter falecido, :'( . Minha mãe, na época, derramou lágrimas copiosas. Olha só, logo ela, que não era tão apegada quanto os meus irmãos e eu – eu pensava…

Nesta data, 20 de julho, em que se celebra o Dia Internacional do Amigo e da Amizade, vim aqui falar somente (sem nenhum tom pejorativo) de uma fera que late? Não, meu caro amigo internauta, não. Eu vou falar de você também, pois amizade é algo que se estende para mais do que se vê pessoalmente; e chega ao mundo virtual, por que não? Transpassando isso, toca o irreal, traz a fantasia – assunto já muito abordado em “Amigos Imaginários”. Ademais, faz-se necessário explicar como se originou a data referida e o que é esse sentimento que une não só pessoas, como diversos outros animais. Mas tentarei ser breve.

Primeiramente, o Dia do Amigo foi adotado em Buenos Aires, na Argentina, com o Decreto nº 235/79. Quem diria, justo por um dos nossos maiores rivais futebolísticos, senão o maior! Depois disso, gradativamente, a data passou a ser reverenciada em outras partes do continente latino-americano, difundindo-se tanto que chegou ao mundo como um todo. Criada foi pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro, que se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo. Destarte, durante um ano, o argentino divulgou o lema "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo é meu companheiro".

Convém falar, entretanto, que a origem do Dia Internacional da Amizade é bastante controversa. Tenham em mente que aqui, no Brasil, o Dia Internacional do Amigo em relação ao Dia Internacional da Amizade dá na mesma! “As datas caem” no mesmo dia, e nem faria sentido se fosse diferente. Todavia, é comum haver dias Nacionais e dias Internacionais, notem isto. Assim como se observa dificuldades em se estabelecer uma data somente para ser a oficial quando o assunto é muito importante, subjetivo ou depende de particularidades de uma região – como acontece com o Dia dos Namorados, por exemplo. Em alguns países europeus e nos Estados Unidos no dia 14 de fevereiro, se comemora o dia dos Namorados e da amizade, juntamente com o dia de São Valentim.

Exposto tudo isso, eu ainda me pergunto: Quem dignifica quem? A amizade dignifica o homem e a mulher, ou seriam eles que engrandecem a amizade? Pergunta feita, especialmente, quando pensamos no caso dos sexos aludidos, quando a amizade muitas vezes é o proêmio de algo maior e até melhor: o benquisto amor. Apesar disso, permaneço com a idéia dada ao título, de que a amizade dignifica o homem e a mulher. Talvez fosse mais adequado assinalar ambas as alternativas, porém não quero. Embora a outra esteja correta, eu creio que a escolhida por mim tem mais peso. Inclusive porque nem sempre nós damos à amizade o seu devido valor.

E falando de valor e de dignidade, lembrei novamente do meu salário (na verdade, “vencimento”, pois sou servidor público e é este o termo usado). Que eu não disse que com grande freqüência em vez de ser uma recompensa, um prêmio conquistado com muito empenho e suor, um atenuador de alguns de nossos problemas, aquilo que deveria vir para nos dar prazer e tirar a dor… acaba se tornando o contrário, sendo um contratempo, fonte de aborrecimentos, desgraças e desgaste. Não estou extrapolando. Quantos de nós já não perdemos amizades por conta dele? Quantos já foram mortos por sua causa? Quantos ganharam amigos somente por interesse, dizendo-se como “verdadeiros”!?

Inclusive, ligações que se esperavam ser fortes e duradouras - como as de pai e filho - são despedaças em dois tempos. A verdade é que, hoje, o salário mínimo não cita contentamento, nem conforto. É apenas considerado um preceito fundamental, porque está disposto na Constituição Federal. E em virtude disso, dessa baixa remuneração dos brasileiros, desse esquecimento de providências por parte dos governantes, da incapacidade que eles alegam de majorar o insignificante, o que é medíocre… aumenta-se substancialmente ataques a bens do próximo. Por outro lado (bastante idealizado!), se todas as necessidades do trabalhador fossem alcançadas através de um salário mínimo capaz de atender às finalidades que se propõe, o trabalhador teria um convívio menos agressivo na sociedade, porque tudo o que necessitasse para sobreviver de forma digna poderia ser obtido com o seu próprio trabalho.

De acordo com os preceitos éticos elencados no inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal de 1988, verifica-se que a dignidade da pessoa é conseqüência imediata e lógica de uma boa remuneração. Na Constituição Federal, este princípio está previsto no inciso III do artigo 1º, que dispõe que a dignidade da pessoa humana é fundamento do Estado Democrático de Direito da República do Brasil. A relação entre a dignidade da pessoa humana e o salário mínimo está no fato de que, na medida em que o salário mínimo supre as necessidades dispostas no inciso IV do art. 7º, resguarda uma vida digna ao trabalhador e à sua família.

O salário mínimo, em tese garantidor da dignidade da pessoa humana pelas finalidades às quais se destina, é a contraprestação ideal para se promover a correlação entre o trabalho e a remuneração, tendo em vista que é o salário mínimo que assegura saúde e bem-estar social ao trabalhador, bem como os demais atributos necessários para a sua subsistência. E, no entanto, em nossa sociedade, onde este não consegue atender sequer à alimentação do trabalhador e de sua família, a dignidade da pessoa humana não se encontra resguardada.
 
Atualmente no Brasil, os trabalhadores que têm como fonte de renda o salário mínimo em geral vivem em um estado de pobreza.
 
Nessas horas, a quem iremos recorrer? Aos chefes de Estado, que vivem nadando em dinheiro, e o mais “engraçado“, fazendo isso as nossas custas enquanto contemplam notas com estampas de animais aquáticos? Aos artistas da tevê, muitos dos quais não vêem sequer os pedintes das calçadas e das ruas? Ou a outros tantos endinheirados, que na maior cara-de-pau nos dizem que não estamos satisfeitos com a medida do ter? Nos incluindo nessa quando versam que “sempre queremos mais”! Logo a esses, que se contradizem sucessivamente, quando repetem o ridículo de que não são “nem um pouco” apegados a coisas materiais??? Francamente, eu bem queria que fosse aleivosia minha ou apenas zanga, ou recalque de um pobre diabo. Mas com certeza que não é! Assim como não podemos contar com estes reverenciados pela mídia, em sua maioria.

Nós buscaremos, então, o quê ou quem? - Aquele abraço de um colega! Aquela palavra de conforto, frente a frente, que seria o melhor, ou via e-mail de amigos virtuais – a partir de computadores de terceiros, lembrando de nossa condição precária demais. Se for o caso, um ombro amigo, para chorar nossas mágoas, porque psicólogo para nós seria um luxo, coisa rara. Talvez, uma lambedela do nosso animal de estimação! Um simples carinho de um cidadão, mesmo não conhecido, que servisse de ajuda também. E, realmente, acho que faltou trazer à baila isso, em nossa Constituição Federal, algo que pra mim é o fundamental: A AMIZADE. É esta que nos levaria, enfim, à felicidade; é esta que arregaça as mangas e nos levanta do chão após um grande tropeço; é esta, sim, o maior bem que eu prezo e o pré-requisito inequívoco para nós conquistarmos a tão sonhada dignidade.







Thúlio Jardim. Recife, 20 de julho de 2010.



P.S. - Por fim, umas últimas palavras acerca da inconstitucionalidade do salário mínimo: A doutrina entende que o simples descumprimento de um preceito fundamental disposto na Constituição caracteriza-se como uma forma de inconstitucionalidade, porque ofende a parte que se refere aos direitos fundamentais. E a forma de inconstitucionalidade que aqui se denota é denominada omissão, que se caracteriza tanto pela inércia do Poder Público, quanto pelo silêncio legislativo.




Link de referência:

DireitoNet | Salário Mínimo: Reflexões Éticas e Inconstitucionalidade


Leituras recomendadas:

Melhor Amiga | O trabalho dignifica o homem?
Agência AngolaPress | Comemora-se hoje Dia Internacional da Amizade 


VÍDEOS:

Eesoterikha.com | 36 Vídeos sobre amizade para comemorar o Dia do Amigo, muito carinho em lindos filmes audiovisuais



Você acha que não tem amigos? Olhe bem em volta, você os encontrará! Se ainda assim parecer difícil, que tal buscar na internet? Acesse o site “Velhos Amigos”, e mande sua mensagem para o…

CORREIO DA AMIZ@DE.

Tome coragem, dê o primeiro passo! Que o começo de uma amizade virtual pode gerar ansiedade, mas pode, ao mesmo tempo, ser a sua chance de ter uma amizade concreta e permanente. Pense nisso!!!

2 comentários :

Hélio disse...

É texto pra qualquer tipo de leitor: pro mais sofisticado,para aqueles que buscam algo de recreativo,para os sensíveis, que ainda têm no vocabulário palavras 'antigas'como amizade, amor, carinho - apesar de viver numa sociedade fria e calculista -, para os preocupados com problemas sociais. Muito bom, como todos os outros.Parabéns!!!

Thúlio Jardim disse...

Realmente, algumas dessas palavras estão se tornando cada vez mais "antigas", como se estivessem sendo ligeiramente excluídas do nosso vocabulário. Ou como se tivessem se transformado em algo muito démodé.

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