quarta-feira, 31 de março de 2010

Cer Criança Cempre

 

Qual criança não escreve “um pouquinho” errado? Que ser já adulto não comete os seus grandes deslizes? Tendo em mente o primeiro grupo, eu não consigo exibir um olhar apático quando estou de frente a um trabalho de criança. Não tem como não me encantar, é certo como o quanto é primoroso o resultado. Sim, é! Exceto quando a criança faz de má vontade, pois tudo feito desse jeito não sai legal. Sabendo-se, no geral, que este não é o caso, haja vista que as crianças costumam gostar de se ocupar - muito da ocupação para elas é passatempo – é difícil não se atrair por estas criaturas criativas.

Não importando a ortografia, semelhante o que aconteceu na “Pesquiza Sobre O Circo”, feita pela filha da vizinha aqui do meu apartamento, a gente olha a dedicação delas e o entusiasmo sem vaidade, e não os desacertos. Afinal, elas se deixam impregnar de uma alegria irreal, parecem transmiti-la tão bem e tanto, que também erraria se tentasse mensurar o efeito que isto causa em nós, humanos ufanos.

Não é por acaso que gostei de ajudar aquela garotinha em sua pesquisa sobre o Dia do Circo. Lembro, e rio quando lembro, o que ela escreveu: “Agente gosta de bricar de circo das bricadeiras fazer palhasada, agente, adorar, imitar os bichus, como é bom. É dimais! (…) Agente pular, bricar, bater aumas”. Eu demorei para perceber que o final era “bate palmas”, acho que não fui o único. Enfim…

Gostaria de expor uma de minhas poesias, que tem eu no centro, mas como supedâneo a busca da eterna juventude [aproveitando a deixa do dia de ontem e de que 2010 foi elegido o Ano Internacional da Juventude…].

Obviamente, existem vários tipos de idade: a aparente, a psicológica, a biológica, a cronológica, a emocional, a espiritual; só para citar alguns exemplos. No entanto, não entrarei no detalhamento disso, pois o link acima já faz boa parte do serviço. Irei agora, como disse, apenas exibir uma poesia de cunho muito pessoal. E espero que vocês namorem a leitura:

 

KY - Duas Crianças

O Imo Cultivo da Eviterna Criança
Thúlio Jardim. 09/03/2009



Existe dentro de mim uma coletânea
De poesias sorumbáticas
Que decantam nostalgia
Da puerícia, saudades

Vive interiormente nesta criatura uma criança
Um ser miúdo que ver no sorriso a coisa básica
Para um indivíduo seguir na vida com esperança
De forma que a desesperação quase jamais me bulirá

Dentro cá de este ser há um universo de contentamento
Que em miúro nunca se desfigurará
Pois derrocar alegria deste pessoa hílare de sentimento
É o mesmo que tentar as palavras que transitam pelos pensamentos esvaziar

Ah! E ser o infante é colar o nariz na vidraça e espionar, distante, o dia lá fora
É adorar o blecaute para sair na rua com lanternas de latas improvisadas na mão
É ser um petiz correndo feliz debaixo da chuva e em poças de lama dar um mergulhão
Ser criança é tudo que não deveríamos deixar de ser, pois não

E eram tão morosas as tardes que se despiam do sol
Todo dia vinha uma dor aguda atingir o peito nesta hora
Uma melancolia que chegava sem hora para ir embora
E permanecia comigo, até a hora de eu ir para cama

Jogado, então, triste no canto
No caixote de brinquedos da minha infância
Vasculho por algo que me traga uma exultação
Um joguete que, seguramente, prendesse a minha atenção

Mas nada me fazia encontrar o que tanto almejava
A alegria parecia estar num porão escuro
Trancada, amordaçada e amarrada
Não dando sinais de vida havia alguns anos

O sorriso lucífero há muito tempo perdido, da mocidade
De um enervado garoto sem seiva para derribar a porta
Que entre a alacridade e a angústia o aparta
O umbral a ser galgado para se encontrar a tal felicidade

Também pudera… se tornará um adulto
Aquela perene saudade da meninice agora tem
Deitara num esquife a criança que fora
Mas anseia acorda-lá para um ancião caduco deixar de ser

Mundo afora agora segue em meio a uma aspiração
De ser, mesmo crescido, da jovialidade o titular
Ter um espírito juvenil, embora já não tendo aquela desafetação
Tão inerentes à alma de uma legítima criança

Por isso abriga, no lado interior, este moço
Um jovem, que dormindo, sonha com muita pujança
Ser sujeito alegre em ter se tornado um marmanjo
Bastando, pra isso, o imo cultivo da eviterna criança.


Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails
Google Analytics Alternative