sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Enquanto Eu Quase Morro

 

ESTA POESIA É BASEADA

EM FATOS REAIS,


que se sucederam comigo enquanto estava muito doente. Após a leitura dela, fiquem atentos ao que escreverei. Tentarei explanar um pouco sobre o que vem a ser “doença” e também o que a faz valer a pena: a sua convalescença. Mostrarei como “nascer de novo” pode ser encarado de várias maneiras, inclusive através de outro poema, onde o clímax é o próprio desfecho! Para entender melhor, clique no link (ao final).


O que me moveu certamente, na elaboração deste artigo, fora a celebração do dia de ontem - o Dia Mundial dos Enfermos. Fato muito bem lembrado pelo meu amigo Low!

 

KY - Soro

 

Enquanto Eu Quase Morro
Thúlio Jardim


No momento, meus olhos cravam uma câmera
Não compreendo… mas estou sendo filmado
Farei parte de alguma reportagem ou crônica?
Nunca fui importante, pelo menos, não acho…

Apesar das minhas qualidades
Por mais que eu me superasse
Sempre vinha alguém com maldade
Evidenciar algum dos meus defeitos

E eu me deixei levar
Querendo estar em um “clube”
Caí no engano de acreditar
Em palavras falsas e rudes.

Por alguma razão, nunca fui “suficiente”
Para os outros e, talvez, para mim mesmo
Sempre fui triste e acamado, meio doente
Mas era algo que não se via, vinha de dentro

E volto à cena que antes me achava e me vejo
Deitado em um corredor estreito,
Que há pessoas a minha frente, percebo
E do meu lado, alguém que fala baixo, reconheço…

Olho para minha mãe com a esquina do olho
E pergunto: “O que eu fiz? Onde estou?
Será que eu vou morrer?”
Acrescento: “Eu não quero morrer…”

Ela se acovarda em falar
Só que depois, meus olhos a perfuram:
“Não sabe?
Ou não quer falar?”

Empós muito resistir, contudo penso a tempestade chegou!
Depois de uma noite de sonhos desencontrados,
Anuncio, em prantos, que quero morrer…
No âmago, não acredito que queira.

O que estava dizendo, pelo avesso,
É que queria, lógico, viver
Só que me vem uma raiva, me aborreço
Com a idéia de não poder, ou melhor, não saber

Nesta altura, fragmentos da minha vida
Esvoaçando ao meu redor;
Em forma de lembranças boas,
Enquanto eu quase morro…

Aí me oferecem, calmamente, água
Só que eu bebo vorazmente
Para aplacar a sede que é tamanha
Por pouco, não sofro um afogamento

Como a sede, a dor era grande naquele momento
Pedia, insistentemente, por um anódino
Ao passo em que voltava meus olhos
Para um dos meus benfeitores, um enfermeiro

Naquele dia, todas as medidas paliativas foram feitas
Mas eu ainda me demonstrava agitadiço
Com a possibilidade da morte, que estava à espreita
E que me tirava o antigo sorriso

Quem inventou a morte, este horror?
E o sopro que nos anima se apaga com o toque dela?
E esta raiva do desconhecido? Este temor?
E esta irá contra Deus, Ele deve merecê-la?

Manuel Bandeira sim sabia sobre a vida…
Ao escrever, em uma de suas poesias,
Que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade,
Que a vida é traição!

E um dia, não sei quando nem onde,
Ela vai me trair…


╙ Poesia escrita no dia 21/02/2009 [Adaptada em 12/02/2010] ╜



Tempo Contrito.


O RESTANTE DO ARTIGO SERÁ APRESENTADO NUM MOMENTO OPORTUNO…

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