quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ao Lado dos Doentes

 

“O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, «destinado» a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a realizá-lo.”


Carta Encíclica Salvifici doloris, de João Paulo II

 

KY - Paciente, Paisagem.

 

 

Dado o atual momento histórico cultural, o Papa Bento XVI exortou a Igreja a estar presente de maneira atenta e capilar ao lado dos doentes e na sociedade para transmitir de maneira eficaz os valores em defesa da vida humana, desde a sua concepção até á morte natural. O apelo está contido na mensagem escrita pelo Santo Padre para o XVIII Dia Mundial do Doente, o qual ocorre a esta quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010.


KY - Doutores da Alegria.A comemoração deste dia surgiu “ante a necessidade de assegurar a melhor assistência possível aos doentes”, segundo a voz do seu instituidor, o Papa João Paulo II. Tal que nos toca sensivelmente e de um modo afetivo muito especial o carinho, a compreensão e o apoio expressados, numa fraterna solidariedade, aos que se encontram enfermos, desejando-lhes esperançadas melhoras e o alívio para os seus males. Atitude retribuída pelo apreço diante dos profissionais da saúde e dos que, com eles, muitas vezes voluntariamente colaboram, como as próprias famílias dos doentes - companheiras do sofrimento e da esperança.


Falando da importante tarefa da Igreja de cuidar do sofrimento humano, Bento XVI em sua mensagem citou uma passagem da constituição conciliar Lumen Gentium: como Cristo foi enviado pelo Pai “a evangelizar os pobres… a sarar os contritos de coração” (Luc. 4,18), “a procurar e salvar o que perecera” (Luc. 19,10), de modo a abraçar com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda reconhecer, nos pobres e nos que sofrem a imagem do fundador pobre e sofredor, a intenta de servir neles a Cristo…


Bento XVI chama a atenção para as “feridas do corpo e do espírito de tantos irmãos e irmãs nossos”, evocando, a este respeito, a parábola evangélica do Bom Samaritano. O seu texto assinala o 25.º aniversário da instituição do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, com votos de que a ocasião proporcionada seja de um “fervor apostólico mais generoso ao serviço dos doentes e de quantos deles cuidam”. “A Igreja a serviço do amor pelos que sofrem”, é o lema. "Não é o evitar o sofrimento” e “a fuga diante da dor” que cura o homem, mas “a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito", acrescenta o Papa.


Ele versa ainda - com muito saber - sobre a questão do sofrimento humano, ao assegurar que o mesmo “atinge sentido e plenitude de luz” no mistério da “paixão, morte e ressurreição” de Jesus. O texto papal recorda que a experiência da enfermidade pode tornar-se “escola de esperança”, desde que, como refere o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, os doentes “aprendam a sofrer”.


Já eu - com o pouco de bagagem que carrego - penso não só na dor física, mas também na dor moral, psicológica e na da injustiça. Penso nas vítimas da calúnia, da difamação, da inveja, da intriga malsã, da insinuação torpe. Estou com todos, da forma que posso. E até rezo, mesmo sem saber tanto quanto o chefe da Igreja Católica Romana.


Anseio a saúde, pois é o melhor bem que podemos ter e desejar. Todavia, é justo quando estamos doentes que a apreciamos de forma peculiar e com mais intensidade. A vida desenrola-se com os inevitáveis matizes da doença e é nesta situação que a dignidade e a serenidade devem marcar uma presença forte onde o conforto, o carinho e a amizade são uma constante a criar e a defender. A doença é uma escola de aprendizagem, torno a dizer. Escola de todos! Onde é preciso aprender a viver… incluindo o próprio doente, mas sobretudo lutando pela existência, com paciência e parcimônia, em esperanças e sem esquivanças, sabendo que a enfermidade nos leva à descoberta de infindáveis capacidades para superar os limites da vida no tempo.


Não entra dentro, então, das nossas possibilidades eliminar o sofrimento, posto que ele nos interpele e nos conduza à construção de uma nova perspectiva de sentido, mais amplo e global. A capacidade de aceitar a tribulação e a dor nos leva a uma aprendizagem interior, porque também há aqueles adoecidos na alma. Os adoentados são muitos, se olharmos os números de entubados, intervencionados, ventilados, com bilhas de oxigênio, pre-senis ou dementes, com doenças do esquecimento ou dores físicas e da alma. São vestidos de uma vitória sobre a imanência, naquele instante no qual o presente e a eternidade se tocam e onde o tempo que falta encontra a transcendência que o completa. Com tudo o que isso tem de mistério. E de dor…



Low. Recife, 11 de fevereiro de 2010.

 


Mensagens do Dia Mundial dos Enfermos referentes aos anos anteriores ­– e em vários idiomas – podem ser conferidas aqui;

Download [PDF] das Atividades de 2010: “XIII Dia Mundial do Doente – Dar vida, semeando esperança”.

 

Referências desta postagem:

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