sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Retratação

 

É um pedido de desculpas. É uma reparação de algo de você disse quando não devia ter dito. Retratar é voltar atrás, reconsiderar, tratar novamente a coisa por outro ângulo. De acordo com o Dicionário AURÉLIO, a (1) confissão de um erro; (2) Declaração que retrata, ou seja desdiz outra anteriormente feita; (3) retirada ou anulação duma proposta por arrependimento do proponente.

Antigamente, até a chegada do Acordo Ortográfico de 1990, usava-se “retractação” com sentido diferente a “retratação”, pelo que notei no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Separava-se a primeira forma para os pedidos de desculpas, enquanto que a segunda geralmente se encarregava dos atos de tornar a tratar de algo ou, simplesmente, de mostrar a imagem num quadro qualquer.

Veja-se como ainda há confusões quanto ao uso, por exemplo, nas páginas retratar ou retractar e retratação ≠ retractação. Perceba, no entanto, que esta segunda página é de Lisboa, em Portugal. O que demonstra que pode haver pequenas variações nos diferentes países de linguajar semelhante. É interessante, então, que se dê uma lida sempre nos acordos mais recentes: veja o especial do ig Educação sobre o assunto e guarde este Guia Prático da Nova Ortografia para se manter atualizado.

 

KY - Desculpas

Após este intróito, devo ir direto ao ponto: este aqui é um pedido meu de desculpas pela demora em apresentar novo conteúdo neste blog e também é a referência (o retratar) para uma outra postagem feita aqui.

Vamos começando com as justificativas da demora. Estive eu com sérios problemas no computador de casa, mais especificamente com o Windows XP (há mais de um sistema em minha máquina…). Não tive como atualizar meu Twitter ou Tumblr, e outras redes afins – excetuando o novo Google Buzz que, por enquanto, ainda funciona na empresa onde trabalho.

KY - Internet RuimIndependentemente da versão do Sistema Operacional, afinal os problemas podem acontecer em qualquer uma, eu precisei formatar e reinstalar os programas um por um, o que certamente levou muito tempo e demandou esforço mental e físico de mim [sério!]. Não importando também se a perda dos dados se deveu a formatação (o que é fato!), a questão é que tudo, acredito, foi conseqüência de um ataque de vírus, pois MINHA INTERNET NÃO FUNCIONAVA, certamente porque meu irmão mais velho desandou em abrir arquivos infectados. O meu antivírus apresentava problemas na atualização, páginas ficavam a carregar “eternamente” etc.

Por isso tudo, hoje tomo como muito importante o adotamento de medidas preventivas! Para evitar problemas ulteriores, eu, de pronto, criei backups e fiz um CD Bootável (disco de resgate) com o Acronis.

KY - Amigo Oculto Agora, só falta eu tratar novamente de um assunto de outro artigo deste Blog: Amigos Imaginários. Criada a idéia do texto no dia 14 de Fevereiro, entretanto eu mantive-o OCULTO até a chegada do dia de ontem, quando coincidentemente passou na tevê, em Festival de Sucessos da rede Globo, o Amigo Oculto. A descrição já tá bem detalhada neste link, por isso não acrescento muito sobre este filme. Até porque a temática dele estaria mais para dupla-personalidade do que para a existência, ainda que numa mente infantil, de um Amigo Imaginário. Na verdade, o amigo era inimigo, e o inimigo era para ser amigo – quanta confusão, hein!? E, para ser mais complexo ainda, o amigo/inimigo não era totalmente oculto e, por isso, melhor seria que o longa se chamasse “O QUASE-OCULTO”.

De toda maneira, o filme nos induz o tempo todo a acreditar na “existência” do amigo imaginário da garota que protagonizava a cena, representada por Dakota Fanning – ela tá um mulherão hoje em dia…! Fiquei surpreso. Não só com o final do filme e com a cara atual da garota, mas com o fato de o mesmo retratar o assunto criado por mim, mais de uma semana atrás, ainda no corrente mês. Não bastasse isto, se não me falha a memória, em janeiro deste mesmo ano passou outro filme com a temática igual, desta vez protagonizado por Haley Joel Osment. Enfim…

Peço que leiam o texto escrito por mim em “Amigos Imaginários”, para maiores informações.

Um grande amplexo a todos! Recebam minhas desculpas… Estou ficando por aqui. Tchau!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Neuronicídio

 

Os anos passam, as edições se renovam e o povão vai aderindo a esse arraial que já tomou conta do país, em pleno Carnaval. Na verdade, em pleno fim de Carnaval. Não bastasse esta quarta-feira ingrata ter chegado tão depressa, eu ainda sou contrariado com notícias da “Casa mais vigiada do Brasil”. Falo do Big Brother, programa que começou na Holanda em 1999 e fez tanto sucesso que hoje é televisionado em cerca de 20 países [para conhecer melhor a origem dele, basta acessar “Big Brother, a história que ninguém sabe”]. Tornara-se um estrondo lá, que repercutiu aqui! Tanto é, que está no ar, pela Rede Globo, desde 2002 e é um líder de audiência da emissora.

KY - Big Burro BrasilQuando passar a 4a feira de cinzas – dia em que na Igreja medita-se sobre nossa condição humana limitada e da necessidade que temos da graça d’@Ocriador – será forçoso voltar ao trabalho para se esfalfar, principalmente depois de tanto tempo “parado”, pois a gente vai se acostumando… Mas o pior não é bem isso, já que é muito respeitável, o pior mesmo e vergonhoso é ter de testemunhar o Pedro Bial naquela máquina-de-fazer-doido, tratando tudo como se fosse algo decisivo para o futuro da humanidade, aumentando audiência da Globo até as alturas, fazendo-a mãe de todos os alienados, que gastam uma fortuna votando… enfim.

Apesar desse visível bombardeio, na verdade eu não condeno a “Poderosa" por tudo. Não é intenção, aqui, criticar a televisão brasileira como um todo, muito menos uma emissora, mas analisar um fenômeno em particular. A idéia do reality show é coisa antiga, e esta onda que atravessou o Atlântico e assola o país não dará sinais de enfraquecimento tão cedo. Especialistas dizem que o homem sempre teve um pouco de voyeur. Acompanhar a vida de pessoas comuns… “apreciar” suas intimidades… saber os limites do homem, degustando dos seus problemas… ou simplesmente libar ao ver as brigas típicas dos romances engavelados… traz a total vigilância dos telespectadores, que se perdem nisso a ponto de sentir que conhecem os participantes intimamente e de torcer fielmente pelo seu preferido. 

KY - BBB, Charge das PessoasAs pessoas gostam de ser engabeladas! É isso. De tal jeito que dão risadas assistindo ao programa, choram se algo não lhes agrada, ou se enraivecem com as aleivosias de certos participantes. Agem, assim, como crianças entre os três e cinco anos de idade. Comparação porque é neste período que os pequeninos têm uma compreensão bastante maniqueísta do mundo, onde as situações, pessoas e bichos são vistos como totalmente bons ou totalmente ruins – não há meio termo.

 

Veementemente eu penso que a televisão, em vez de estimular o voyeurismo, deveria incentivar as pessoas a cuidarem da própria vida; lamento a dose cavalar de mau gosto contidas em algumas cenas. E acho, atualmente, o programa insípido e de um anacronismo insuportável.

 

Quanto à edição presente, uma das suas chaves foi dada explicitamente por Pedro Bial: “Este BBB tem um novo alfabeto. ABCDEF GLS…”. Um dos jogadores depois reforçou: “Este é o BBB da diversidade”. Por fim, a animação de Maurício Ricardo mostrou três robozinhos, um deles gay. A direção do programa selecionou um gay, uma lésbica e uma drag queen, todos assumidos – o que demonstra que as questões de gênero sexual terão papel predominante desta vez.

Há além deste grupo, o dos negros, dos sarados, dos pobres, dos ricos, dos bonzinhos, dos bad boys, dos inteligentes, dos burros… E esta variedade que se apresenta veio, a meu ver, mais para segmentar seus próprios participantes do que para promover algum tipo de tolerância ou de respeito às diferenças. Imagina só para a cabeça dos adolescentes – um dos públicos mais tiete do BBB – que já vivem uma fase difícil, uma crise de existência e a necessidade de fazer parte de um grupo, o que acarreta este tipo de comportamento…

KY - A Honestidade do Político Interessante seria se pudéssemos assistir, então, a um reality show com candidatos políticos, principalmente os concorrentes aos cargos de Presidente da República e de Governador. A segmentação aí seria maior: cada qual mais egoísta que o outro, defenderia o próprio partido, evidenciando os seus interesses implícitos, com a mesquinhez explicitada inevitavelmente. O que não faltaria seriam farsantes, concomitante as nossas gargalhadas… Eu sugeriria, inclusive, que fosse elaborada uma prova na qual, para se conseguir o almejado título de líder, o candidato tivesse de demonstrar ser honesto, probo e incorruptível. Para os políticos que estamos acostumados a conhecer, isto seria pior que permanecer no inferno e diante do Erebus. Dor superior a de uma faca sendo cravada no peito. Acho até que alguns enlouqueceriam ao extremo e tentariam consumar este ato, por acharem mais fácil!

Quem dera… não existissem incultura, ociosidade e júbilo naquilo tudo. Eles estão atrelados em algo que não estimula em nada o raciocínio. E eu vou um pouco mais além do que falou meu amigo Thúlio, em seu artigo intitulado “Tempocídio”: digo-lhes que não é só uma perca de tempo tal programa, como de certo é a morte dos nossos milhões de neurônios. É Tico e Teco, os primeiros, se matando - neuronicídio! Somente me parecendo atilado aquele que não presencia esse treco onde as conversas fúteis extrapolam, onde os palavrões de baixo calão são transmitidos via internet e se infiltram nos lares, invadindo e contaminando a mente dos internautas e dos teventes. Tricô é mais empolgante! Rezo um terço para que troquem aquele negócio do tablado.

Pois o BBB, para quem não sabe, é algo tão falso. O que Muniz Sodré chama de ethos simulado. Troço de trouxa! No programa, tudo é cheio de glamour e “espetacularizado”… a realidade é completamente inventada. Ou seja, é uma realidade que só existe lá. Segundo Sodré, a televisão “[...] cria uma outra realidade e amplia sua própria realidade, onde o indivíduo imerge. Então não é apenas a questão do efeito de conteúdo que está em jogo. O que está em jogo ali é uma administração do tempo do sujeito, administração das consciências, a criação de uma vida vicária, substitutiva”.

Independente das pessoas agirem naturalmente ou não, as situações vividas dentro daquele quadro não são reais. Na vida real – salvo os que cometem crimes [acrescente-se: ninguém será encarcerado senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente…] ou quando se fala metaforicamente – nós não estamos presos, não temos que enfrentar provas de resistência [pelo menos, não aquelas brincadeiras de criança!] para sermos líderes, não temos que eliminar um colega e, além do mais, por que deveríamos chamar de “heróis” seres que passam alguns dias aboletados numa casa confortável, participando inclusive de sessões de sexo sob os edredons e de inúmeras festas, falando palavras chulas e no fim podendo ganhar um milhão de reais por tudo isso?! A que tipo de risco eles estão expostos, digam-me!? Talvez aos paredões? À rejeição do público? A não ganhar o prêmio milionário ou a não virar a celebridade da próxima novela das oito, da noite pro dia!? Sinceramente…

O ápice da idiotice daquilo - sejamos honestos - são as festas com um clima extremamente forçado de alegria, bebedeiras, paqueras, esfregação e “dancinhas” toscas. Nenhum dos confinados está em uma "casa", mas em um "palco". Não num palco da vida com todos os seus problemas e desventuras, mas num palco recheado de purpurina, abdominais, “coxudas” e “bundudas”, vadiagens e gestos obscenos, muito álcool, DJs e, o pior de tudo, com o comandante desta “nave espacial” chamando os “tripulantes” de “heróis”. Só falta dizer também que estas antas são imortais, quando estão muito mais para bobos da corte. A diferença é que não há enredo, nem peça, nem filme. Nenhum suposto fundamento para que possamos “observar” o comportamento humano.

Há uma farsa na qual se reserva lugar para tudo, menos para o pensamento. Para que pensar ali dentro, se todos querem ver o circo pegar fogo? [Entendeu o porquê de “bobos da corte”…?] Há quem discorde do que eu digo até aqui, e acastele aquele lugar e seus “atores”. Mariana, uma fã do programa, fez o seguinte comentário numa página da web: “[…] O BBB tem como única finalidade o entretenimento. Ponto. Para isso, selecionam pessoas interessantes e diferentes para que o programa se torne atrativo aos olhos do público. Se eu estiver interessada em ficar conectada com o que está acontecendo no mundo, assisto ou leio jornal. Se eu quero ampliar o vocabulário, aguçar a imaginação e a criatividade e aprender coisas novas, leio um bom livro. Caso o meu objetivo ao assistir televisão seja aumentar o conhecimento sobre diversos assuntos, procurarei um programa que me forneça tal conteúdo…”

O que ela não acrescentou é que os programas que fornecem “tal conteúdo” são escassos e, ordinariamente, passam em horários totalmente inapropriados – em geral durante a madrugada. Eu, particularmente, só queria menos afetação, menos apelação… Naquele canal, a sustação de tantas besteiras. E, por isso, concordo plenamente com outro internauta que disse – na mesma página que Mariana – ser nessas horas em que vão ao ar os BBB’s e afins, que ele presta agradecimento e diz obrigado a Deus por ter um PC no quarto, “beeem” longe da televisão, e com um modem permitindo o acesso à internet. Espero que de banda larga, mas até se for discada, vale mais a pena.

 

Posto que seja aquele um espaço especialmente dedicado à grosseria e ao grotesco, ao preconceito e à ausência de conceito, à linguagem vulgar e à vulgaridade sem linguagem.

 

KY - BBB, Big Bosta Brasil EUA, Inglaterra, Alemanha, todos esses e outros fortes países do mundo têm programas estúpidos em suas programações também. Porém, nunca na história deste país se viu tanta cultura inútil no televisor. Tal que não me faltam azos para argumentar contra e advertir àqueles que são expostos por um período - ainda que curto - as suas ondas… acabam se tornando, certamente, um pouco mais tontos. Contra tudo que digo, muitos ainda insistem: é o triste cenário a que chegamos. Não só nesta terra brasilis, mas também na periferia da humanidade tola em admirar as qualidades fúteis, a falsidade, a trapaça, a escolinha da maldade e as insinuações grotescas de falta de vergonha, dignidade do tudo pelo dinheiro e material, isto é constatado.

Ser homem meritório é não fazer parte deste território de dementes. É o exemplo do baiano Antônio Barreto. Além de escrever o cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil”, ele se expressou igualmente bem ao versar sobre a imponente Globo, este programa e os seus telespectadores: “A emissora é influente, consegue controlar o público, que não preza pelo hábito da leitura, pelo bom gosto. São pessoas dominadas pela estética da beleza, pelo filme de violência. Então é facil para a Globo criar um programa desse e ter sucesso". Impossível contestar…

Para ele, contudo, o BBB não deveria acabar e, sim, ser reformulado, propondo e levando para o público discussões a respeito de temas relevantes para a população, a exemplo da educação, violência, preconceito, economia e política, dentre outros temas. "Seria interessante se todas aquelas pessoas pudessem sentar numa mesa redonda e discutir temas importantes, ao invés de expor o corpo, a sexualidade, a futilidade. Os homossexuais, em vez de beijar na boca, poderiam discutir o quanto são discriminados. Eu mesmo sou contra a homofobia*. Poderia ser aberto para o público, mas de uma outra maneira. Se fosse de outro jeito, não faria o cordel, não criticaria a Globo e o BBB".

Portanto, é possível fazer diferente! Os participantes poderiam se unir em um projeto comum e solidário (talvez para a melhoria da casa, quando revelariam suas habilidades); poderiam discutir assuntos de interesse público (como tem acontecido em algumas novelas, da TV Globo, em relação às drogas, aos portadores de necessidades especiais, provando que entretenimento não significa alienação); poderiam apoiar campanhas de esclarecimento etc.

Há mil maneiras de enriquecer o programa. Contudo, os "atores" são mal aproveitados e compelidos a brincadeiras que qualquer criança saberia tornar mais criativa (quando não são humilhados). Os espectadores torcem para presenciar crises nervosas, violência verbal, acusações mútuas. O objetivo é a derrota do semelhante, sua queda, sua cara no chão. Nenhum arremedo de cumplicidade. Nenhum trabalho conjunto. Nenhum talento descoberto. Do outro lado, o público vota tanto, afinal, em quê?

A embalagem ficou ótima. Uma das explicações para isso e o tal sucesso dos realities shows é o fato deles apelarem para a angústia do anonimato que nós, habitantes das cidades, sentimos em maior ou menor grau. Na multidão, somos nada: sensação que nos oprime principalmente quando a ineficiência dos serviços públicos atesta nossa desimportância; quando nosso trabalho é insatisfatório; quando nossos horizontes culturais são limitados e não entendemos como o mundo funciona.

Algo no produto, porém, passa a impressão de que o olho do Grande Irmão imaginado por Orwell em seu "1984" não está exatamente voltado para os indivíduos enclausurados na mansão, mas para quem os assiste: um vigilante que procura saber quem somos nós, o que fazemos, que valores prezamos e que desejos ocultos temos, para, assim, nos oferecer uma catarse sob medida. Mas, afinal, seria isto realmente uma maneira de libertação - liberação de nossas recordações mais recalcadas? O que você pensa de ser você o vigiado nesta história, não sabia? Não seria, no mínimo, um contra-senso este fato citado, e não saber o que salta aos olhos? E como você se sentiu, colega, neste questionamento meu de agora: impressionado(a) ou pressionado(a)?

KY - BBB, de Olho em Você E mais: O que você acha do Big Brother? É ético? É a realidade? É cultura? Dê sua opinião…



Low. Recife, 17 de fevereiro de 2010.



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* HOMOFOBIA – O fato é que, por mais medíocres, medonhos e tapados que sejam os BBBs e seus primos pobres do gênero reality, sejam os da mesma emissora ou das demais, uma categoria de gente que surge em oposição a estes é talvez mais assustadora e espantosa. Arrebatados de surtos de conservadorismo e coisas que tais, senhores e senhoras supostamente do bem e zeladores das morais e dos bons costumes do mundo, saíram esta semana de suas catacumbas medievais. Atribuindo a si mesmos a tarefa de empunhar as vassouras da moralidade do mundo, desejam fazer uma faxina e extirpar da sociedade todos os males comportamentais. A limpeza deveria culminar com a televisão sendo condenada eternamente ao silêncio verbal e imagético. Não raro, essas pessoas guardiãs da honra da espécie assustam mais que os personagens a quem pretendem condenar.

 

Malu Fontes. Jornalista, doutora em Comunicação e Cultura, professora da Facom-UFBA.

 

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Sinonímia encontrada em outros blogs (algumas palavras escritas ou modificadas por mim): 

KY - Big Bosta BrasilKY - BBB. Big Bosta Brasil

- Bundas Bonitas Bastam
- Baita Besteira Brasil
- Bang Bang Brazil
- Big Bosta Brazil
- Big Broxa Brazil
- Big Baixaria Brazil…
- Bando de Bestas Brasileiros
- Bruxas, Bêbados e Boiolas
- Bizarrice, Burrice e Besteirol 
- Boçalidade, Babaquice e Baboseiras
- Big Bichas Brazil


OBS.: — Eu não tenho preconceitos, respeito o ser humano do jeito que ele é!

 

 

 

 

 


 

PARA SABER MAIS


Leia “Assim somos nós…” texto de Artur Salles Lisboa de Oliveira. Notícia de Terça, 27 de Janeiro de 2009 (se mantém atual). Além dos links abaixo.

 

Artigos Interessantes:

Gestão Universitária / Companhia da Escola: "BBB,  Um desserviço"
10 Coisas Idiotas Que Você Vai Ouvir Durante o Big Brother

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amigos Imaginários

 

A observação de um infante brincando sozinho, em alguma parte, pode trazer uma engraçada surpresa: um amiguinho imaginário. “Uma em cada três crianças nutre temporariamente uma relação existente apenas na fantasia – o que não é motivo para preocupação. O curioso é que também adolescentes e adultos, em especial idosos, usam esse recurso para superar fases difíceis”, afirma Inge Seiffge-Krenke ­– psicóloga e dirigente do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento do Instituto Psicológico da Universidade de Mainz na Alemanha.

 

Hoje é uma data especial. Uma das datas em que se comemora o Dia da Amizade. Sim, pois há várias: As oficiais, expostas em calendários – como o dia 20 de Julho (Dia Internacional do Amigo) e o 18 de Abril (aqui no Brasil) –, e as oficiosas – como as definidas por mim e por outros colegas como eu, isto é, TODOS OS DIAS.

O dia 18 de Abril, vale lembrar, também é o Dia Nacional do Livro Infantil. Assunto de suma importância para se tratar, ao qual reservo especial atenção e falarei um pouco sobre a literatura infantil neste artigo, apesar dele ser mais voltado ao tema expresso no título. Em outras oportunidades, certamente, aprofundarei-me sobre este que é co-responsável pela construção do nosso caráter: o livro. Haja vista que seja indiscutível o quanto o “grau de leituras” (entenda-se: alfabetismo) nos afeta profissionalmente e na vida cotidiana, e  desde o começo, quando ainda éramos crianças a explorar o mundo…

Agora, sobre amizade convenhamos: existe coisa melhor e mais imprescindível?! Segundo as definições do Dicionário Aurélio, amigo é aquele ligado a outro por laços de amizade. Em que há amizade. Amizade, portanto, é um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou atração sexual. Mas, não podemos, nos resumir por aí. Há diversas categorias a se falar…

KY - Amigo ImaginárioNo tempos hodiernos, sabemos que conversar com gente que nunca vimos não é nada incomum: perambulamos por chats, blogs e twitter e trocamos informações e segredos com pessoas com quem mantemos relacionamentos virtuais, às vezes bastante íntimos. Mas e quando uma criança “cria” um amigo imaginário – brinca, fala e até mora com ele, como se fosse real? Esse fenômeno, que surge principalmente entre os 3 e 7 anos de idade, não é tão raro. Quando pais e educadores percebem a existência desses companheiros invisíveis quase sempre ficam preocupados. Mesmo parecendo boas tais amizades para os seus rebentos, surgem fatalmente questionamentos. Um dos principais é se devemos ou não tentar convencê-los a abonar suas fantasias.

Vamos, então, fazer uma visita inicialmente ao cérebro de uma criança [ou “crionça”, como dizem], demonstrar um pouco de nossa empatia. Imaginar como que ela seria, caso estivesse em um ambiente cheio de colegas e repleto de brincadeiras, jogos e aprendizado lúdico… Seria satisfeita em suas necessidades de reconhecimento social e relacionamento interpessoal, tranqüilamente, isto ela seria. Pois estaria sendo alimentada por essas vivências, o que facilitaria toda a construção das interligações necessárias ao seu desenvolvimento sadio.

Se, entretanto, ela se encontra num canto fechado, sozinha, sem colegas que possam compartilhar esse aprendizado, ela poderá tomar dois caminhos opostos. Um muito perigoso para a sua formação, que seria a acomodação ao insulamento ou ausência, com a possível montagem de uma individualidade excessiva, de uma personalidade anti-social. O outro - mais adequado - é o da criatividade, montando histórias e dramatizações, transformando brinquedos em personagens reais, ou até visualizando amigos imaginários que serão seus parceiros nas diversões, nos jogos, nos passeios e em todos os demais momentos de sua vida.

KY - Calvin & Hobbes Quero falar mais deste segundo caso, como bom fã de Calvin e Haroldo (Calvin & Hobbes) que sou, posto que isto me rememore uma criança de grande criatividade (criativa até demais), que tem o hábito de conversar com seu amigo imaginário… Não imaginário propriamente dito, posto que esse até exista (?): é seu bichinho de pelúcia favorito e companheiro de sempre, o “tigre”. Na verdade, o autor Bill Watterson diz que se inspirou em sua gata de estimação para criar Haroldo, e, no entanto, isto não é certeza, mas me dá base para proferir que ele também conversava com o seu bicho de estimação. Teria sido Watterson, daí, um criança solitária? Penso que não, pois em nenhum momento afirmei que crianças socializáveis não eram criativas. Apenas disse, que as demais, eram mais passíveis de desenvolver uma inventividade grande para suprir a carência de amigos ou seja lá o que estivesse faltando.

Então, se o assunto do momento é sobre amigos imaginários, por que eu deveria me ater às amizades físicas, apenas? Por que não falar das amizades que nos acompanharam em nossas fantasias e aventuras de infância, mas que, com o passar do tempo, voltaram a ser “bichinhos de pelúcia”? Ou somente lembranças de uma fase boa…? KY - Surfando na Net

Estava surfando em matérias e pescando tiras a respeito do assunto, quando encontrei essa de baixo, em um outro blog, com o título “A tira mais triste de todos os tempos”. E, confesso, é triste sim… porque crescer vem sendo tristeza.

KY - Calvin & Haroldo

Mas por que crescer vem sendo tristeza, em alguns termos, desde sempre? Porque quando crescemos, nós nos forçamos a acreditar apenas no que nos dá provas, no que é argumentativo, ou adquirido com o empirismo. É próprio do ser humano adulto querer crê apenas no que se pode ver e ter e, principalmente, comprar… Mas… não era mais bonito quando havia a certeza de que, no final, o mocinho salvaria a princesa? E se tínhamos lá nossos amigos imaginários, não era com estes que, mesmo amedrontados, enfrentávamos os bichos-papão e os monstros do armário que nunca surgiam do armário, mas estavam sempre ali nos assustando? Por sinal, eram poucas, senão as únicas, coisas que nos metiam medo naquela época… até porque sabíamos que nosso amigo nunca nos abandonaria e lutaria junto. Na pior das hipóteses, correria junto… contudo sempre estaria conosco.

 

Não, eu não tenho mais amigos imaginários, a bem da verdade, não me lembro se um dia os tive. Provavelmente sim, mas prefiro não recordar… não sei como reagiria hoje [risos]…

 

Voltando à tira a esquerda, Calvin, que nunca faz seus deveres antes do prazo e prefere brincar a estudar (diga-se: criança normal), preferiu naquele momento fazer sua lição a dar atenção a Haroldo. Isso porque sua mãe, de alguma forma, o fez se concentrar em outras coisas que não Haroldo, tornando mais interessante (diga-se: importante) a lição. O pensamento do cartunista foi dizer que ela o fez tomar algum tipo de pílula… milagrosa!? Remédio de esquizofrênico??? Não vamos chegar a tando. De todo jeito, o rapaz se esquecera da "existência" do seu amigo, o que significou a “morte” do Haroldo, um fato realmente triste...

É triste, mas também podemos entender que é belo. Lendo depoimentos de outros fãs de Calvin & Haroldo, descobri que muitos chegavam a chorar pela seriedade desse momento que enfim invadiu a vida de Calvin. Bem, não é bem minha intenção aqui fazer com que as pessoas chorem de tristeza [talvez de emoção… ;p]. Então, deixo avisado que a tira em questão não é oficial! Não foi feita por Bill Watterson, mas por alguém que, infelizmente, não se sabe o nome. Se desejar ver outras mais, acesse Depósito do Calvin. Afinal, não é minha intenção também ficar só a falar do Calvin, do Haroldo, ou mesmo de Bill Watterson.

 

Quero me aprofundar nas questões do imaginário pueril e do que esteja nos recônditos da nossa mente adulta, aparentemente debelado.

 

Tanto é que - não raro - pais, professores e terapeutas incomodam-se não apenas com o fato de as amizades imaginárias serem mantidas por um longo tempo, às vezes por anos, mas também com a nitidez com que as crianças parecem ver seus amiguinhos. Isto, portanto, seria a comprovação de uma algema que os prendem aos escrúpulos do amadurecimento? Será que é o nosso remorso, por termos nos tornado velhos, antes do tempo? Sem saber, nem quando mais não seja, que os pequenos precisam desses parceiros e, mesmo os tendo, discernem corretamente que eles não são reais e que só existem na imaginação, tão fecunda!?

Ou seja, com pureza: essas criações psíquicas podem ser claramente diferenciadas de fantasias patológicas, que ocorrem, por exemplo, nas psicoses. A criança nunca se sente indefensavelmente dominada pelo amigo que criou – pelo contrário, pode modelar, modificar e manipular sua invenção como quiser. E também determinar a duração desse “relacionamento”. Essa pessoinha, cunhada na fantasia de crianças, aparece sobretudo em filhos únicos ou que tem irmãos bem mais velhos, ou, ainda, nas que não chegaram à fase escolar. Normalmente, quando a criança começa a participar de atividades socializantes com coleguinhas de sua idade, o amiguinho imaginário vai fazendo visitas cada vez mais remotas até ser totalmente esquecido. Por mais que os adultos brinquem com as crianças, não suprem a necessidade que elas têm de se relacionarem com seus “iguais”.

Por isso, os pais devem respirar aliviados… pois todos os estudos sobre esse fenômeno chegam ao mesmo resultado: não há motivo para preocupações! Os amigos imaginários têm sido estudados de forma intensiva há muito tempo, nos últimos 100 anos, mas poucos psicólogos se dedicaram a esse tema, alguns anos a fio. E há um ponto em comum: todos concordam que os “invisíveis” amiguinhos estimulam o desenvolvimento das crianças, podem suprir eventuais lacunas afetivas e ajudam na elaboração de questões psíquicas.

Para os mais novos, o amigo “de mentirinha” é quase sempre um companheiro de brincadeiras que pode estar “presente” também à mesa na hora das refeições, ser chamado pelo nome, mas não raramente acompanha a criança durante todo o dia. Certos pesquisadores afirmam que praticamente todos nós temos um parceiro imaginário em um determinado estágio do desenvolvimento – porém, ele quase nunca é descoberto pelos adultos e a própria pessoa normalmente não se lembra disso mais tarde.

Os acompanhantes invisíveis são freqüentemente crianças da mesma idade de seus criadores. Podem ser também animais, magos ou super-heróis. Os pequenos igualmente dão vida a um bicho de pelúcia ou a uma boneca de que gostam muito ao lhe atribuírem personalidade própria. Com isso, e com já falado, os amigos visíveis tipo Hobbes (ou Haroldo na versão brasileira) – o tigre de pano dos quadrinhos americanos Calvin e Haroldo – também se tornam companheiros imaginários. Os estudos nos quais esse artigo se baseia concentram-se, porém, no fenômeno dos amigos totalmente invisíveis e semelhantes aos seres humanos.

Algumas crianças e jovens iniciam essa amizade quando se sentem sozinhos. E companheiros imaginários podem ter funções variadas. Aparecem principalmente durante mudanças drásticas: quando a mãe ficava grávida ou um irmãozinho nascia; quando um dos pais estava ausente devido a freqüentes estadias no hospital ou depois que uma pessoa considerada referência afetiva morria. Também no caso de separação dos pais ou de amizades que se rompiam, por exemplo, devido a uma mudança de casa, os amigos imaginários ajudavam na superação.

De tempos em tempos, assim, crianças e adolescentes compensam a realidade com a ajuda providencial do parceiro imaginário e combatem sentimentos de abandono, solidão, perda ou rejeição. É possível, desse modo, desfrutar de um relacionamento de amor e apoio, além de companhia – independentemente das circunstâncias externas. Como conseqüência, essas figuras quase sempre desaparecem, tão logo a criança encontre amigos reais ou se adapta à nova situação.

Essa função pode explicar por que também pessoas idosas têm eventualmente amigos imaginários – o que até agora quase não foi estudado. O psiquiatra canadense Kenneth Shulmann relatou em 1984 o caso de três pacientes com mais de 80 anos que haviam perdido pessoas queridas recentemente. Os três fizeram seus companheiros falecidos reviverem em sua imaginação, embora evitassem falar sobre o assunto com outros, o que foi avaliado por Shulman como um indício de que eles tinham consciência da natureza ficcional de suas criações. Provavelmente, isto acontece com muito de nós, todavia fica ocultado das estatísticas, pela mesma razão anterior.

KY - Amigo Imaginário do Adulto

PRAZER E COMUNICAÇÃO
Em seus extensos estudos sobre o desenvolvimento da inteligência infantil, o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) também deparou com os amigos imaginários. Ele os interpretou como uma forma especial do jogo simbólico. Piaget relatou sobre o companheiro imaginário de sua filha de 3 anos, Jacqueline. O personagem dominou a atenção da menina durante dois meses, ajudava-a em tudo o que estava aprendendo, estimulava-a a respeitar regras e a consolava quando estava triste. De repente, desapareceu.

Piaget não atribuiu a criação do amigo de sua filha à solidão ou a condições de vida difíceis. Via nele muito mais uma prova de criatividade e prazer comunicativo. Essa idéia foi comprovada mais uma vez em 2008 por um estudo dos psicólogos Anna Roby e Evan Kidd, da Universidade de Manchester. Eles testaram a capacidade lingüística de 44 crianças em idade pré-escolar e escolar. Aquelas que tinham um companheiro imaginário costumavam se expressar melhor e se colocar no lugar do interlocutor, o que faziam inclusive com prazer. Apresentando, assim, mais qualidades sociais - como a empatia - do que aqueles sem um acompanhante invisível.

Estudos sobre comportamentos lúdicos comprovam que principalmente crianças maduras e psicologicamente estáveis têm amigos imaginários.

Exposto isso, o sociólogo britânico David Finkelhor, da Universidade de New Hampshire em Durham, nos Estados Unidos, foi um dos pesquisadores que demonstraram que quanto pior for o estado físico e psíquico das crianças, menos serão capazes de brincar. O abuso ou a negligência fazem com que a imaginação se atrofie e inibem a propensão ao jogo – em geral, essas crianças não criam acompanhantes imaginários.

Geralmente parceiros imaginários tomam forma a partir do terceiro ano de vida, quando já é possível diferenciar entre o eu e o outro. Para estudiosos como Sigmund FREUD e Jean PIAGET, a base do desenvolvimento afetivo e da interpretação do mundo residiam na primeira e na segunda infância. Conseqüentemente, se os três primeiros anos de vida são fundamentais para o futuro do indivíduo, não podemos ignorar, justamente neste período, a extrema importância que tais “companhias” terão.

E em 1988, o psicólogo Paul Harris, da Escola de Medicina de Harvard em Boston, acompanhou 221 crianças com o objetivo de detectar quão bem podiam separar a fantasia da realidade. Por volta dos 3 anos [mencionei inclusive no primeiro parágrafo e, estou enfatizando aqui e um pouco mais adiante falarei também…], não havia mais confusões entre pessoas reais e inventadas, fossem seres imaginados por elas mesmas ou figuras de contos de fadas, histórias ou filmes.

Daí porque diversos estudos sociológicos já discutiram que o leitor infantil passa a ser considerado a partir dos séculos XVII e XVIII, grosso modo. Até então, acreditava-se, na Europa, que a criança era um ser à semelhança de um adulto em miniatura. Suas especificidades de desenvolvimento e maturidade não eram entendidas como hoje. Naqueles tempos, a partir do novo projeto social e econômico, os filhos da classe social que se fortalecera desde o fim de Idade Média – a chamada burguesia – se tornam alvo das preocupações educacionais e, só então, surge a perspectiva de um leitor ainda não adulto, para o qual deveriam desenvolver um mundo de literatura e referências bastante específico.

Foi naquele momento, juntamente com as escolas e com os métodos de ensino, que surgiram os chamados livros para crianças. Inicialmente, tratavam-se de obras adaptadas de livros para adultos ou de “contos populares” (fábulas, contos maravilhosos, mitos, lendas…). Havia os que também eram “encomendados” por instituições a determinados escritores, com o objetivo de ensinar “virtudes” e “comportamentos adequados” às crianças da nova classe dominante. Nascia a chamada literatura infantil que, nos séculos seguintes, cresceria e tomaria um espaço só para si – apesar de, historicamente, ter sido menos valorizada do que a considerada “literatura para adultos”.

Constatou-se, ademais, que a fantasia e a criatividade se modificam no decorrer do desenvolvimento. Crianças em idade pré-escolar freqüentemente mostram aptidão para o chamado jogo ilusório ou ficcional, no qual partindo de poucos traços um objeto ou um personagem são construídos. Assim, uma fileira de cadeiras se transforma, por exemplo, em um “trem” num piscar de olhos.

Na idade escolar a criatividade aumenta e, na adolescência, alguns jovens começam a escrever diários - como eu neste diário virtual [novamente a questão: será que eu tive amigos imaginários?!], uma forma muito particular de vivenciar a própria criatividade e imaginação. Para atingir esse estágio é necessário primeiramente uma compreensão madura da intimidade: crianças ainda não diferenciam entre informações “privadas” e “públicas”. Somente por volta dos 10 anos é possível compreender o que significa privacidade. Dessa fase em diante as informações sobre a própria pessoa ou sobre outros podem ser conscientemente mantidas em segredo ou manipuladas.

Mas vamos lembrar primeiro o que vem PRIMEIRO. A criança, na faixa etária de 1 a 2 anos, passa uma fase em que geralmente já anda sozinha, descobre seu ambiente e expressa seus desejos por gestos e por balbucios, ou mesmo por palavras completas. Ela começa a conquistar uma autonomia que exigirá estímulos, mas também limites. Não poderá subir em todos os lugares, nem comer o que quiser e quando quiser, tampouco derrubar, quebrar ou destruir objetos. As primeiras tentativas de se estabelecer o limite podem desencadear uma reação contrária da criança. É a birra ou pirraça, em que ela comumente costuma se jogar no chão, espernear e começar um choro monótono e, muitas vezes, sem lágrimas.

Com o aumento da idade, surgem os companheiros imaginários – tema quase concluso deste artigo ­­– e altera-se não apenas a percepção de si mesmo e das importantes pessoas de referência, mas também destes “companheirinhos”. Falaremos mais, só que mais à frente…

Antes, devemos dar umas últimas palavrinhas sobre o período pré-escolar. Nele, são características as relações embasadas em uma interação física momentânea: “Somos amigas porque nós duas gostamos de brincar de boneca!”. É aqui que surge também o período de imitação: imita-se o adulto, seu comportamento; surge o desejo de brincar de usar roupas e calçados de “gente grande”. Este é um dos termômetros para que se saiba que as maravilhosas portas do faz-de-conta estão abertas. A criança faz de conta que é o pai ou a mãe ao brincar de casinha e bonecas, faz de conta que está falando no celular, faz de conta que está passeando no bosque, faz de conta que está no castelo encantado.

Posteriormente, entre os 3 e 5/6 anos de vida, chegamos numa fase de mais calmaria para os pais e educadores. A sociabilidade está em progresso e a criança depende menos dos seus responsáveis. A agitação do “pega tudo e derruba tudo” passou. O entendimento do uso de símbolos e de conceitos como idade, espaço, tempo, certo e errado, já se aprimora. Este é um período de compreensão muito maniqueísta do mundo, em que as situações, pessoas e bichos são vistos como totalmente bons ou totalmente ruins – não há meio termo [comentei isto inclusive na postagem “Neuronicídio”, falando-se das atitudes de alguns participantes no decorrer do Big Brother]. Nos contos de fadas, a fada é sempre boa, enquanto a bruxa é sempre malvada. O sapo é sempre feio, a não ser quando se transforma em príncipe. O lobo e a cobra são sempre perigosos. A criança não entende, neste período, que os personagens – assim como as pessoas e ela mesma – às vezes são legais, às vezes não, às vezes querem ajudar, às vezes não, e que atributos como a beleza e a feiúra podem ser relativos e ter fundamentos culturais... Nesta idade, a criança está completamente dentro de seu mundo mágico. É a doce fase da infância em que acreditamos em Papai Noel, em duendes, em fadinhas e em bicho-papão de uma forma mais imaginativa. Aqui também costumam aparecer amigos imaginários, pois a realidade e a fantasia freqüentemente se confundem.

Por volta dos 7 ou 8 anos os parceiros recebem e oferecerem ajuda – nessa fase a amizade orienta-se principalmente por vantagens próprias. Mas as crianças já atentam para um relativo equilíbrio de poder: “Eu te empresto minha bicicleta se você me deixar brincar com a sua bola”. Esses relacionamentos são mantidos também com os amigos imaginários.

KY - Amiga Imaginária Curiosamente, os jovens de ambos os sexos escolhem amigas imaginárias com mais freqüência – 75% dos meninos e 61% das meninas – e inventam uma pessoa que se assemelhe a eles em traços essenciais. Rapazes muitas vezes criam uma cópia feminina perfeita de si mesmos, que se assemelha a eles não apenas em idade e aparência, mas também em personalidade. As meninas, por sua vez, criam ocasionalmente parceiras que se diferenciam delas em características importantes.

Com o aumento da idade, traços centrais da personalidade do amigo se modificam – assim como os do próprio criador –, às vezes ele recebe até um novo nome. No entanto, no decorrer da adolescência, os parceiros invisíveis parecem se tornar menos nítidos, adolescentes mais velhos quase não os mencionam. Aliás, escritores de diário foram entrevistados mais uma vez, alguns anos mais tarde, e contatou-se que realmente pouquíssimos conseguiram lembrar-se de seus amigos imaginários! Se o acompanhante imaginário cumpriu sua função, ele aparentemente não só é deixado de lado, mas também esquecido – um sinal de que as crianças conseguiram dar mais um passo em seu desenvolvimento de forma criativa.

 


CONCLUSÃO – O ato da leitura estimula o fantasiar, e vice-versa! São coisas que podem dar estirpe aos amigos imaginários, e são coisas que se educam. Assim como se educa o ato de se apreciar um quadro ou uma escultura dentro de um museu, ou mesmo as árvores de um jardim, educa-se a maneira de ler, a forma de se lidar com o livro, e, por que não, com aqueles amigos, oriundos ou não , incitados ou não, pelos livros? Educa-se, sobretudo, pela interferência do adulto e por seus exemplos na fase que é, para a criança, como já enfatizado, uma fase muitíssimo importante. Diríamos mesmo decisiva, pois a maneira como a criança entenderá o livro e as histórias, neste período, irá acompanhá-la PELO RESTO DA VIDA. Exceto, geralmente, os amigos imaginários. Metaforizo: eles se desvanecem como (e com) o tempo…

 

 



Confira também:


¤ MaDame Lumière – Cinema é meu Luxo. Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are) – 2009 [Filme / Livro];
¤ Ônibus-biblioteca – Roteiro de Leitura. Comentários sobre O Pré-leitor e a Educação do Ato de Ler, por Adriano Messias.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Tempo Contrito


“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção”

 

É claro que a autoria do texto acima não é minha. Mas poderia ser. A poesia abaixo é que, vigorosamente, não - “não poderia ser!”. Pela simples razão de não ter nem três décimos da idade de que tinha o autor argênteo, ao resolver minutar sua experiência de vida. Nem uma centelha de entusiasmo criador, diria eu, de um Jorge Luis Borges, talvez o maior escritor que a região do Prata já teve. E, indiscutivelmente, seu nome está registrado em letras de ouro no panteão dos titãs da literatura.KY - Jorge Luiz Borges


“Ele nasceu, depois de morrer, porque ele viu que seu sonho era próspero. E nunca mais voltou”. Isto quer dizer, grosseiramente, que alguém realizou alguma coisa que ele sonhou antes de desencarnar. Muitas vezes Borges afirmou que possuía a convicção de que seu destino era ser escritor, mas que não esperava ser conhecido: “No fundo, queria ser um escritor obscuro, quase imperceptível”. A declaração parece paradoxal, levando-se em conta que o mesmo desejava o Nobel e a ele aspirou até o último momento. Essa não parece ser a postura de um autor que buscava o anonimato perfeito.


KY - Jorge Luiz Borges - Biblioteca De fato, era um funcionário incógnito de uma biblioteca desimportante em Buenos Aires; mas leu, leu, leu – como ninguém mais. Desenvolveu uma habilidade mágica de dizer as coisas simples e sabiamente. A frase exata denunciando o esforço da comunicação desejada até a última gota, como transparência e elucidação.


Diferem dele magníficos autores cujo entendimento só é possível após um esforço massacrante, que asfixia o leitor. Embora eles tenham em sua forma de poetar a sublimação e o arrebatamento, muito embora produzam textos de qualidade inegáveis, dignos de aplausos; comparações são inevitáveis. Borges está entre aqueles que conseguem aliar à competência estilística uma capacidade de comunicação impressionante, que não se esgota, que se abre sempre para significados precisos e ao mesmo tempo múltiplos. É desses autores preciosos que conseguem comunicar esplendidamente, que conseguem falar de maneira inequívoca às mentes e aos sentimentos.


KY - Janela da Alma Era iluminado e luminoso, apesar de ter ficado cego. Pois, mesmo estando sob a mais completa cegueira, Borges em muitos momentos foi profético, como quando comentou – durante o governo Alfonsin – a prisão e julgamento dos militares torturadores argentinos, responsáveis pelo desaparecimento de milhares de civis: “No que se crê é que vá haver sentenças severas, e depois de algum tempo uma espécie de anistia para esses homens. Então tudo não passará de uma farsa”. E, além do mais, a despeito de estar velho, de se achar encurvado sob o peso da idade e sob o signo da descrença, prosseguiu ditando palavras… Ele perdera a vista, como disse, apenas como leitor! – no ano de 1955. Aliás, a capacidade de enxergar além, permanecera incrível. O que o fazia lembrar uma frase de Steiner: “Quando algo te acaba, precisas saber como inicia”. Sempre dizia.


Assegurava freqüentemente o seu ateísmo. Admirava o pai, também ateu, e revelava que a felicidade mesmo só conseguia indiretamente, pelo trabalho. Solitário Borges. Falava da solidão como de uma aliada às avessas de sua criação, espécie de segunda companheira, sombra sempre em volta dos livros acumulados sobre a mesa, empilhados nas estantes: “Passo boa parte do meu tempo só, conheço poucas pessoas. Então fico planejando poemas, narrações […]”.


A revista mexicana Plural, fundada por Octavio Paz, trouxe em 1989 um poema intitulado “Instantes”, o qual teria sido escrito por Jorge Luis Borges no ano de sua morte. Segundo Alberto Manguel - ensaísta brilhante, nascido em Buenos Aires, mas atualmente cidadão canadense -, no capítulo “Falsificações” de seu livro “À mesa com o Chapeleiro Maluco – Ensaios sobre corvos e escrivaninhas” (Companhia das Letras, 2009), o poema estava precedido por um “meloso comentário” de Mauricio Iechanower, o qual apontava na obra um poder de síntese magistral. Pois bem, para o senhor Manguel, o poema é uma meditação idiota e sentimentalóide.


KY - Nadine Stair Três anos depois, ainda segundo o ensaísta supracitado, foi publicada uma nova tradução dos versos, no Queen’s Quarterly: “Moments”, traduzido por Alastair Reed, já experimentado na arte de traduzir o grande escritor argentino. Em 1999, o crítico Francisco Peregil (sigo com Manguel) revelou ao jornal El País, de Madrid: “O verdadeiro autor do apócrifo é uma desconhecida poeta norte-americana chamada Nadine Stair, que o publicou em 1978, oito anos antes da morte de Borges em Genebra, aos 86 anos”. O texto continuou a aparecer e ganhou o mundo.


Eu que sempre creditei a Jorge Luis Borges o poema, depois de pesquisar com afinco, no fim constatei a existência de uma grande polêmica quanto ao verdadeiro autor. Encontrei diversas versões em inglês, porém pessimamente traduzidas. Escolhi, dentre estas, uma que me pareceu mais palatável. Obviamente reproduzo o original (em espanhol) e acrescento ainda a versão no linguajar alemão – concedida gentilmente por Verinha. Não necessariamente nesta ordem…

KY - Jorge Luiz Borges - Ilustração Preto e Branco - 02

Quanto ao escólio de a prosa poética ser melosa, eu penso que talvez seja mesmo; ou me pareça em certos instantes. Mas é notório e irretorquível que o primeiro verso é um sonho! Não obstante o último alvitre… um pesadelo.

 

 


Doze dias antes de falecer, o escritor Argentino Jorge Luis Borges ( 1899-1988) “teria escrito” este texto-testamento que podemos tornar como uma impressionante lição de existir de um homem brilhante: 

 

  KY - Preso ao Passado

▬ INSTANTES ▬


"Se eu pudesse novamente viver a minha vida, 
na próxima trataria de cometer mais erros. 
Não tentaria ser tão perfeito, 
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido. 

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. 
Seria menos higiênico. Correria mais riscos, 
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, 
subiria mais montanhas, nadaria mais rios. 
Iria a mais lugares onde nunca fui, 
tomaria mais sorvetes e menos lentilha, 
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. 

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata 
e profundamente cada minuto de sua vida; 
claro que tive momentos de alegria. 
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente 
de ter bons momentos. 

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; 
não percam o agora. 
Eu era um daqueles que nunca ia 
a parte alguma sem um termômetro, 
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e, 
se voltasse a viver, viajaria mais leve. 

Se eu pudesse voltar a viver, 
começaria a andar descalço no começo da primavera 
e continuaria assim até o fim do outono. 
Daria mais voltas na minha rua, 
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, 
se tivesse outra vez uma vida pela frente. 
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo…" KY - Arrependimento

 

 

▬ INSTANTES (VERSÃO EM ESPANHOL) ▬

“Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría
de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas;
si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años…
y sé que me estoy muriendo.”

 

ON LIVING (ENGLISH VERSION) ▬

"If I had my life to live over again,
I would try to make more mistakes next time…
I'd try not to be so damned perfect;
I'd relax more, I'd limber up,
I'd be sillier than I've been on this trip;
In fact, I know of very few things I'd take quite so seriously;
I'd be crazier… and I'd certainly be less-hygenic;
I'd take more chances… I'd take more trips…
I'd climb more mountains… I'd swim more rivers…
And I'd watch more sunsets;
I'd burn more gasoline,
I'd eat more ice cream - and fewer beans;
I'd have more actual troubles and fewer imaginary ones,
You see, I was one of those people who lived prophylactically and sensibly,
hour-after-hour and day-after-day;
Oh, that doesn't mean I didn't have my moments,
But if I had it to do all over, I'd have more of those moments,
In fact, I'd try to have nothing but wonderful moments, side-by-side.
I was one of those people who never went anywhere without a thermometer,
a hot water bottle, a gargle, a raincoat and a parachute;
If I had it to do all over again, I'd travel lighter next time.
If I had my life to live all over again,
I'd start barefoot earlier in the spring
and I'd stay that way later in the fall;
I'd play hooky a lot more;
I'd ride more merry-go-rounds, I'd pick more flowers,
I'd hug more children,
I'd tell more people that I loved them,
If I had my life to live over again;
But, you see, I don't."

 

EIN ZWEITES MAL (DEUTSCHE VERSION) ▬

“Könnte ich mein Leben noch einmal von vorn beginnen,
würde ich versuchen mehr Fehler zu machen.
Ich würde alberner sein, würde ganz locker werden,
nur noch ganz wenige Dinge ernstnehmen.
Ich würde entschieden verrückter sein und weniger reinlich.
Ich würde mehr Gelegenheiten beim Schopfe packen
und öfters auf Reisen gehen..
Ich würde mehr Berge ersteigen,
mehr Flüsse durchschwimmen und
mehr Sonnenaufgänge auf mich wirken lassen.
Ich würde mehr Schuhsohlen durchlaufen,
mehr Eis und weniger Bohnen essen.
Ich würde mehr echte Probleme und
weniger eingebildete Nöte haben.
Wie Sie bemerkt haben werden,
war ich eine von denen, die
vorsorglich, vernünftig und gesund leben,
Stunde für Stunde Tag für Tag.
Nun, ich habe meine verrückten Augenblicke,
aber, wenn ich noch einmal von vorne anfangen könnte,
würde ich mehr verrückte Augenblicke haben ?
genau gesagt, Augenblicke,
einem nach dem Anderen, und nichts mehr
von Plänen zehn Jahre voraus.
Wissen Sie, ich bin eine von denen,
die für alle Fälle Thermometer, Wärmflasche,
Gurgelwasser, Regenmantel und Fallschirm
bei sich haben.
Hätte ich ein zweites Leben,
ich würde sie alle zu Hause lassen.
Könnte ich mein Leben noch einmal von vorn beginnen,
ich würde in aller Herrgottsfrühe
barfuß in den Frühlingsmorgen laufen
und als letze sagen. jetzt ist der Herbst dahin.
Ich würde Hockey spielen,
und vom Karussell würden Sie mich
nicht mehr herunterbringen.”

 

JORGE LUIZ BORGES , aos 85 anos, SUÍÇA.
† 1988 – 86 anos na Terra.





Obras Completas de Borges:

 
· FERVOR DE BUENOS AIRES, 1923
· LUNA DE ENFRENTE, 1923
· INQUISICIONES, 1925
· EL TAMAÑO DE MI ESPERANZA, 1926
· EL IDIOMA DE LOS ARGENTINOS, 1928
· CUADERNOS SAN MARTÍN, 1929
· EVARISTO CARRIEGO, 1930
· DISCUSIÓN, 1932
· LAS KENNIGAR, 1933
· HISTORIA UNIVERSAL DE LA INFAMIA, 1935 - A Universal History of Infamy
· HISTORIA DE LA ETERNIDAD, 1936
· EL JARDÍN DE SENDEROS QUE SE BIFURCAN, 1941 - Haarautuvien polkujen puutarha
· SEIS PROBLEMAS PARA DON ISIDRO PARODI, 1942 - Six Problems for Don Isidro Parodi
· EL JARDIN DE SENDEROS QUE SE BIFURCAN, 1942
· FICCIONES, 1944
· DOS FANTASÍAS MEMORABLES, 1946
· UN MODELO PARA LA MUERTE, 1946
· NUEVA REFUTACÍON DEL TIEMPO, 1947
· ASPECTOS DE LA LITERARA GAUCHESCA, 1950
· LA MUERTE Y LA BRÚJULA, 1951
· ANTIGUAS LITERATURAS GERMÁNICAS, 1951 (with Delia Ingenieros)
· OTRAS INQUISICIONES 1937-1952, 1952 - Other Inquisitions, 1937-1952
· LOS ORILLEROS, 1955
· MANUAL DE ZOOLOGIA FANTASTICA, 1957 - The Book of Imaginary Beings (1969)
· LEOPOLDO LUGONES, 1957
· OBRAS COMPLETAS, VIII 1954-60
· LIBRO DEL CIELO Y DEL INFIERNO, 1960
· EL HACEDOR, 1960 - The Doer/The Dreamtigers
· ANTOLOGÍA PERSONAL, 1961 - A Personal Anthology
· MACEDONIO FERNÁDEZ, 1963
· EL OTRO, EL MISMO, 1964
· OBRAS COMPLETAS III, 1964
· PARA LAS SEIS CUERDAS, 1965
· INTRODUCCIÓN A LA LITERATURA INGLESA, 1965 (with María Esther Vásquez)
· LITERATURAS GERMÁNICAS MEDIAVALES, 1966 (with María Esther Vásquez)
· CRÓNICAS DE BUSTOS DOMECQ, 1967 - Chronicles of Bustos Domecq
· EL LIBRO DE LOS SERES IMAGINARIOS, 1967 - The Book of Imaginary Beings
· MUEVA ANTOLOGÍA PERRSONAL, 1968
· ELOGIO DE LA SOMBRA, 1969
· EL OTRO, EL MISMO, 1969
· EL INFORME DE BRODIE, 1970 - Dr. Brodie's Report
· EL CONGRESO, 1971
· EL ORO DE LOS TIGRES, 1972 - The Gold of Tigers
· Borges on Writing, 1973
· OBRAS COMPLETAS, 1974
· EL LIBRO DE ARENA, 1975 - The Book of Sand
· LA ROSA PROFUNDA, 1975
· PRÓLOGOS CON UN PRÓLOGO DE PRÓLOGOS, 1975
· LA MONEDA DE HIERRO, 1976
· LIBRO DE SUEÑOS, 1976
· ANDROGUÉ, 1977
· ASESINOS DE PAPEL, 1977
· HISTORIA DE LA NOCHE, 1977
· LA ROSA DE PARACELSO, 1977
· TIGRES AZULES, 1977
· OBRAS COMPLETAS EN COLABORARACIÓN, 1979
· PROSA COMPLETA, 1980
· SIETE NOCHES, 1980 - Seven Nights
· LA CIFRA, 1981
· NUEVE ENSAYOS DANTESCOS, 1982
· VEINTICINCO AGOSTO, 1983
· OBRA POETICA, 1923-1977, 1983
· Y OTROS CUENTOS, 1983
· LOS CONJURADOS, 1985
· TEXTOS CAUTIVOS, 1986
· EL ALEPH BORGIANO, 1987
· BORGES, EL JUDAISMO E ISRAEL, 1988
· BIBLIOTECA PERSONAL, 1988
· OBRAS COMPLETAS, 1989 (2 vols.)

 

Vídeos:

  • Instantes em espanhol:
  • Em português:

 

Referência deste artigo:

Arte Livre

 

 

Links Interessantes:


Biografias e bibliografia, poemas, ensaios, cartas, entrevistas. O que escreveram sobre JLB e mais…

Jornal de Poesia

Mi Buenos Aires Querido

UOL Educação

Literatura Comentada

 

Quanto a autoria do texto apócrifo:

Betty Vidigal

Jornal da Poesia / Revista Agulha

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Enquanto Eu Quase Morro

 

ESTA POESIA É BASEADA

EM FATOS REAIS,


que se sucederam comigo enquanto estava muito doente. Após a leitura dela, fiquem atentos ao que escreverei. Tentarei explanar um pouco sobre o que vem a ser “doença” e também o que a faz valer a pena: a sua convalescença. Mostrarei como “nascer de novo” pode ser encarado de várias maneiras, inclusive através de outro poema, onde o clímax é o próprio desfecho! Para entender melhor, clique no link (ao final).


O que me moveu certamente, na elaboração deste artigo, fora a celebração do dia de ontem - o Dia Mundial dos Enfermos. Fato muito bem lembrado pelo meu amigo Low!

 

KY - Soro

 

Enquanto Eu Quase Morro
Thúlio Jardim


No momento, meus olhos cravam uma câmera
Não compreendo… mas estou sendo filmado
Farei parte de alguma reportagem ou crônica?
Nunca fui importante, pelo menos, não acho…

Apesar das minhas qualidades
Por mais que eu me superasse
Sempre vinha alguém com maldade
Evidenciar algum dos meus defeitos

E eu me deixei levar
Querendo estar em um “clube”
Caí no engano de acreditar
Em palavras falsas e rudes.

Por alguma razão, nunca fui “suficiente”
Para os outros e, talvez, para mim mesmo
Sempre fui triste e acamado, meio doente
Mas era algo que não se via, vinha de dentro

E volto à cena que antes me achava e me vejo
Deitado em um corredor estreito,
Que há pessoas a minha frente, percebo
E do meu lado, alguém que fala baixo, reconheço…

Olho para minha mãe com a esquina do olho
E pergunto: “O que eu fiz? Onde estou?
Será que eu vou morrer?”
Acrescento: “Eu não quero morrer…”

Ela se acovarda em falar
Só que depois, meus olhos a perfuram:
“Não sabe?
Ou não quer falar?”

Empós muito resistir, contudo penso a tempestade chegou!
Depois de uma noite de sonhos desencontrados,
Anuncio, em prantos, que quero morrer…
No âmago, não acredito que queira.

O que estava dizendo, pelo avesso,
É que queria, lógico, viver
Só que me vem uma raiva, me aborreço
Com a idéia de não poder, ou melhor, não saber

Nesta altura, fragmentos da minha vida
Esvoaçando ao meu redor;
Em forma de lembranças boas,
Enquanto eu quase morro…

Aí me oferecem, calmamente, água
Só que eu bebo vorazmente
Para aplacar a sede que é tamanha
Por pouco, não sofro um afogamento

Como a sede, a dor era grande naquele momento
Pedia, insistentemente, por um anódino
Ao passo em que voltava meus olhos
Para um dos meus benfeitores, um enfermeiro

Naquele dia, todas as medidas paliativas foram feitas
Mas eu ainda me demonstrava agitadiço
Com a possibilidade da morte, que estava à espreita
E que me tirava o antigo sorriso

Quem inventou a morte, este horror?
E o sopro que nos anima se apaga com o toque dela?
E esta raiva do desconhecido? Este temor?
E esta irá contra Deus, Ele deve merecê-la?

Manuel Bandeira sim sabia sobre a vida…
Ao escrever, em uma de suas poesias,
Que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade,
Que a vida é traição!

E um dia, não sei quando nem onde,
Ela vai me trair…


╙ Poesia escrita no dia 21/02/2009 [Adaptada em 12/02/2010] ╜



Tempo Contrito.


O RESTANTE DO ARTIGO SERÁ APRESENTADO NUM MOMENTO OPORTUNO…

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ao Lado dos Doentes

 

“O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, «destinado» a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a realizá-lo.”


Carta Encíclica Salvifici doloris, de João Paulo II

 

KY - Paciente, Paisagem.

 

 

Dado o atual momento histórico cultural, o Papa Bento XVI exortou a Igreja a estar presente de maneira atenta e capilar ao lado dos doentes e na sociedade para transmitir de maneira eficaz os valores em defesa da vida humana, desde a sua concepção até á morte natural. O apelo está contido na mensagem escrita pelo Santo Padre para o XVIII Dia Mundial do Doente, o qual ocorre a esta quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010.


KY - Doutores da Alegria.A comemoração deste dia surgiu “ante a necessidade de assegurar a melhor assistência possível aos doentes”, segundo a voz do seu instituidor, o Papa João Paulo II. Tal que nos toca sensivelmente e de um modo afetivo muito especial o carinho, a compreensão e o apoio expressados, numa fraterna solidariedade, aos que se encontram enfermos, desejando-lhes esperançadas melhoras e o alívio para os seus males. Atitude retribuída pelo apreço diante dos profissionais da saúde e dos que, com eles, muitas vezes voluntariamente colaboram, como as próprias famílias dos doentes - companheiras do sofrimento e da esperança.


Falando da importante tarefa da Igreja de cuidar do sofrimento humano, Bento XVI em sua mensagem citou uma passagem da constituição conciliar Lumen Gentium: como Cristo foi enviado pelo Pai “a evangelizar os pobres… a sarar os contritos de coração” (Luc. 4,18), “a procurar e salvar o que perecera” (Luc. 19,10), de modo a abraçar com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda reconhecer, nos pobres e nos que sofrem a imagem do fundador pobre e sofredor, a intenta de servir neles a Cristo…


Bento XVI chama a atenção para as “feridas do corpo e do espírito de tantos irmãos e irmãs nossos”, evocando, a este respeito, a parábola evangélica do Bom Samaritano. O seu texto assinala o 25.º aniversário da instituição do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, com votos de que a ocasião proporcionada seja de um “fervor apostólico mais generoso ao serviço dos doentes e de quantos deles cuidam”. “A Igreja a serviço do amor pelos que sofrem”, é o lema. "Não é o evitar o sofrimento” e “a fuga diante da dor” que cura o homem, mas “a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito", acrescenta o Papa.


Ele versa ainda - com muito saber - sobre a questão do sofrimento humano, ao assegurar que o mesmo “atinge sentido e plenitude de luz” no mistério da “paixão, morte e ressurreição” de Jesus. O texto papal recorda que a experiência da enfermidade pode tornar-se “escola de esperança”, desde que, como refere o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, os doentes “aprendam a sofrer”.


Já eu - com o pouco de bagagem que carrego - penso não só na dor física, mas também na dor moral, psicológica e na da injustiça. Penso nas vítimas da calúnia, da difamação, da inveja, da intriga malsã, da insinuação torpe. Estou com todos, da forma que posso. E até rezo, mesmo sem saber tanto quanto o chefe da Igreja Católica Romana.


Anseio a saúde, pois é o melhor bem que podemos ter e desejar. Todavia, é justo quando estamos doentes que a apreciamos de forma peculiar e com mais intensidade. A vida desenrola-se com os inevitáveis matizes da doença e é nesta situação que a dignidade e a serenidade devem marcar uma presença forte onde o conforto, o carinho e a amizade são uma constante a criar e a defender. A doença é uma escola de aprendizagem, torno a dizer. Escola de todos! Onde é preciso aprender a viver… incluindo o próprio doente, mas sobretudo lutando pela existência, com paciência e parcimônia, em esperanças e sem esquivanças, sabendo que a enfermidade nos leva à descoberta de infindáveis capacidades para superar os limites da vida no tempo.


Não entra dentro, então, das nossas possibilidades eliminar o sofrimento, posto que ele nos interpele e nos conduza à construção de uma nova perspectiva de sentido, mais amplo e global. A capacidade de aceitar a tribulação e a dor nos leva a uma aprendizagem interior, porque também há aqueles adoecidos na alma. Os adoentados são muitos, se olharmos os números de entubados, intervencionados, ventilados, com bilhas de oxigênio, pre-senis ou dementes, com doenças do esquecimento ou dores físicas e da alma. São vestidos de uma vitória sobre a imanência, naquele instante no qual o presente e a eternidade se tocam e onde o tempo que falta encontra a transcendência que o completa. Com tudo o que isso tem de mistério. E de dor…



Low. Recife, 11 de fevereiro de 2010.

 


Mensagens do Dia Mundial dos Enfermos referentes aos anos anteriores ­– e em vários idiomas – podem ser conferidas aqui;

Download [PDF] das Atividades de 2010: “XIII Dia Mundial do Doente – Dar vida, semeando esperança”.

 

Referências desta postagem:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tempocídio

 

KY - Big Bosta Brazil.

 

Cortando todas as minhas chances de participar do Big Brother Brasil 2011 [risos…], escrevo este artigo. Tal programa já é um clássico dentre os da linha reality show o que inclui “A Casa dos Artistas”, “A Fazenda” e “Solitários” – e não se caracteriza exatamente por ter em seus elencos e repertórios pessoas que se destacam por suas performances intelectuais e temas elevados e enriquecedores para os telespectadores.

KY - BBB. Charge Noticia Ruim.Porém, fazendo um desserviço a minha intelectualidade, indo de encontro a minha vontade, tive o desprazer de acompanhar o programa da atual edição do BBB – acreditem, a décima! A ironia e a sátira contidas no apresentador e jornalista Pedro Bial irritam as sensibilidades de qualquer um em pleno gozo de suas faculdades mentais, pois ao assistirmos este, no meu caso aleatoriamente…, comprovamos que ele usufrui de uma cultura que adquiriu só para si.

Tinha jurado para mim mesmo e até para minha mãe que neste ano de 2010 não iria perder o meu tempo comentado absolutamente nada sobre programinhas de péssimo gosto que infestam as tevês no Brasil, aliás, lá fora essas “porcarias” fazem tanto sucesso quanto aqui. Mas os acontecimentos pesam mais do que a força das minhas promessas. Abordar esse assunto aqui no KY pode ser um tempocídio para mim, ultrajante e degradante para muitos, mas vou correr esse risco ainda assim.

Contudo, também não quero ficar aqui nesta horrível mania de dizer mal de tudo e de todos, pois não tolero mais críticas sem sentido e maledicências, as más línguas e o cinismo crônico. Irrita-me muito o habitual de dizer mal pelo prazer de estar do contra. Tão nacional e tão parcial quanto burro. Detesto essa rede de censores encapotados que, de teclado, caneta ou lápis em riste, logo começam à procura do erro fácil, da gralha e da asneira, mal abrem um livro, um manual ou um jornal. Mas, enfim...

Preocupa-me muito o efeito a la “big brother” de tudo ver e tudo controlar que assola o mundo da internet. Detesto esses abutres covardes que dilaceram os textos e se refestelam com a desgraça alheia, disputando as migalhas como despojos de guerra. Aborrece-me a forma vil e repugnante como a mídia, os jornais, o povo, troçam da incompetência alheia e se comprazem perante os seus infortúnios. As pessoas assistem a tudo como verdadeiros ascetas.

Odeio mesmo esses pequenos prazeres mesquinhos do brasileiro de dizer mal do próximo e essa incomoda mania de criticar pelo simples desejo de criticar, como se isso fosse um maldito hobby nacional. No entanto julgo os participantes pelas suas atitudes, os comparando a "bobos num confinamento prolongado" e que buscam um sucesso à custa da perda de suas privacidades por não terem algum talento para mostrar, pela qualidade do raciocínio ou por uma obra. O que reflete esses jovens no programas é que a nossa juventude é tão vazia e apática quanto os músculos e bundas expostas de lá pra lá e de cá pra lá na piscina da casa.

Diante dos fatos e das conversas do povo, vez por outra se escuta Pedro Bial (se eu não estiver enganado…) falar “aos demagogos de plantão…” antes de anunciar os “heróis”. Não ameniza em nada tal discurso, nem mesmo ao se acrescentar o pronome possessivo meus antes de heróis, como ele vem fazendo ultimamente, acho que depois de tanto ouvir as pessoas ironizando a expressão e zombando dele.

KY - Perigo, Rede Globo. Eu e a grande maioria do meu círculo de amizades e leitores do KY, no meio desse mar de lama e chacotas, possuímos uma massa cinzenta crítica e uma estrutura cultural que um bom número de brasileiros que assistem à “Rede Bobo” não têm. Falo isto após receber, por e-mails, mensagens de colegas de trabalho sobre o BBB. Recebi de bom grado e agradeço em especial a Luzimel Arruda pelo envio da maior parte destas, o que abarca um texto, uma poesia e uma apresentação do PowerPoint. Em seguida, também apresentarei um vídeo de uma situação que envolveu uma das participantes do programa presente e que de maneira criativa está sendo satirizada.

Faço minhas as palavras transcritas naqueles e-mails, e começo pelo trecho da poesia de Antonio Barreto¹ – cordelista nascido nas caatingas do sertão Baiano, em Santa Bárbara. Para vê-la na íntegra, clique sobre a imagem que vem acompanhado-o. Prontamente, mostrar-lhes-ei isso e o que mais tiver em mãos:

 

E-mail 1 - Retrocesso em Cordel.

BIG BROTHER BRASIL, Um Programa Imbecil. 
Antonio Barreto¹ - Cordelista natural de Santa Bárbara/BA, residente em Salvador.

KY - Cordel do BBB 10. Um Programa Imbecil da TV Globo.


“Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

[…]

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal...”


Salvador, 16 de janeiro de 2010.

 KY - BBB, Um Programa Imbecil Clique na imagem para ampliar.

 


¹ Barreto é professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente. Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.  Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia. Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos. Ele também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.


Complementando este ótimo poema, trago um excelente texto – levemente alterado – do outro e-mail recebido, cujo autor é desconhecido (quem souber o nome, por favor indicar):

 

E-mail 2 – Vergonha e Indignação.

BBB 10
A Vergonha…

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe…) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assisti-lo naturalmente, e ver este programa ao lado dos filhos sem constrangimentos.

Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como incansavelmente são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é  a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis!? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns) [A apresentação de PowerPoint é em homenagem a ela.].

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou  ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou serem comprados mais de 5..000 computadores.

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo de Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…,  estudar…, ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins…, telefonar para um amigo…, visitar os avós…, pescar…, brincar com as crianças…, namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.


Autor Desconhecido

 

Apresentação de Slides do PowerPoint para Download:
Mídia e BBB.


Agora, “vamos dá uma espiadinha…”:

 


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