sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Mais Triste do Mundo

 

“Angústia é querer ser feliz todo instante.”


A felicidade é um truque, uma ilusão, uma desesperança. Como não cansam de repetir os poetas e os chatos, é breve. A cada “conquistar” de alegria, surge sempre uma nova necessidade não disfarçável. E vamos levando isto muito a sério: vivemos uma época em que temos a sensação de que somos obrigados a ser sempre felizes, feito numa compulsão… devemos ostentar a todos o sorriso. As pessoas tristes são indesejadas, vistas como completas fracassadas. Algumas chegam a ser pisadas, de maneira intolerável. Por isso, a doença do momento é a depressão, e este momento já dura uma década e mais… Ela é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço - como afirmou o escritor francês Pascal Bruckner, autor do livro “A Euforia Perpétua”. Muitos de nós estão fazendo força demasiada e a debalde para demonstrar felicidade aos outros – e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso hasteado: uma fonte de ansiedade terrível.

Felicidade, por definição, é um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam - semelhante ao que acontecera com os habitantes da Cidade Mais Feliz do Planeta. Portanto, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável. Ainda bem que a felicidade é temporária, não?! Nestes termos… Pois é a busca dela que nos empurra para frente.

Muita gente acredita que é possível viver uma existência só de altos, sem nenhum ponto baixo, sem tristeza, sem sofrimento. E alguns estão dispostos a conseguir isso sem esforço algum, só à custa de antidepressivos. Mas se “a vida é sofrimento”, já se dizia num dos preceitos de alguns religiosos, em especial os budistas. Os cientistas apenas confirmam. Ter a consciência de que tal emoção é inevitável, pode ajudar. Sim, isto mesmo! Saber que o sofrimento é certo, pode trazer a felicidade, ao passo que diminui certamente a ansiedade. Com o sofrimento, a felicidade não vem adida, porém quando temos o conhecimento antecipado da chegada de uma dor, damos tempo para a aceitação, adaptação… e, pelo menos assim, a tristeza se abranda. Convém lembrar também que não há sentimentos, nem bons nem ruins, que durem eternamente.

A felicidade não é um fim em si, e sim uma conseqüência do jeito que você leva a vida. As pessoas que procuram receitas e respostas complicadas para ela acabam perdendo de vista os pequenos prazeres e alegrias. E, novamente, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável!

Low, 29 de janeiro de 2010.


Referência: Revista Super Interessante, abril de 2005. A Ciência da Felicidade.

 

 

KY - O Homem Mais Triste do Mundo

 

Agora iremos à leitura de um soneto. A poesia feita pelo meu amigo e colaborar no blog, e a qual está dando título a este artigo:

 

 

 

 

O Mais Triste do Mundo
Thúlio Jardim, 18 de junho de 2009.


Em seguida a perda, um extremo desânimo duma dor extraordinária
Da angústia sem fim que no peito se avulta demais dolente
Num progredir para se tornar a presença mais-que-ordinária
Confesso que jamais tive, em época qualquer, esse ultra-sofrer…

Que não morre, quer vir a ser a prostração tão permanente
Como o porro da solidão que cresce em toda decadência e dilúculo
Uma consternação de tal modo, porra, quem é que entende?!
E que sou, assim, quem sabe, o mais triste do mundo…?

Tira-me veloz a vida, não abandonada dum choro largado, terrível
Que qual respiração, na fossa, fez-se tanto inexeqüível
Assim como já não posso ter parras alegres a esta altura…

Meter-me-ei de vez em um sepulcrário amaldiçoado e distante
Próximo de nenhuma alma viva ou criatura amante
Que me faça lembrar daquele amor perdido, falso e vagabundo.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails
Google Analytics Alternative