domingo, 10 de janeiro de 2010

Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo!


O Natal já veio e já foi. Imediatamente se foi… Como as luzes que subiram, que desceram, que fizeram rodopios e explodiram em mil cores e pedacinhos diferentes, em um mundo diverso e cheio de males, agora afastado. E de certa forma, como muitos.

Carente sim, eu estava naquele dia, enquanto via a cena e uma mulher conspícua, tão linda, que passava passeava serenamente ao meu lado [mas não sorria…], e um homem lá ao longe que cuspia no chão, depois pisava o cigarro… para apagá-lo.

O show pirotécnico cintilante deliciava as famílias, grupos de amigos e multidões não só pelo brilho, mas também pelo estrondo. Para mim era estranho tudo aquilo, tão constante a cegueira que trazia, a parecer conspirante! Aqueles humanos reunidos naquela hora, nem sequer espiavam a tristeza estampada nos meus olhos e nos deles próprios em outrora. A expiação que enfrentava não os despertava daquela utopia que tacteava suas mentes, não tapava o horizonte das mentiras e os “tapeava” do infortúnio, pois aquilo se tornara uma rotina.

Puxa, vida! Loucos doentes! Quando chegara a menina – a única – e me perguntara contente por que eu não estava sorrindo, eles logo se anteciparam: — é que ele foi, toda vida, um depressivo.

Depressivo, nada! Infeliz… tampouco. Pára! Digamos que eu era o único mais reflexivo e tranqüilo naquela festa. E nada a ver com o ano novo. Tudo a ver com estar vivo! E qual o porquê daquele verbo conjugado no pretérito? Por acaso eu já me fui?! Sei que o verbo não era este, o “ir”, mas sim o “ser”, contudo o tom… dava a entender certas coisas.

Agora, vos queria apresentar um texto de minha autoria, mudar o rumo da conversa um pouco. Ele eu escrevi em seguida o Natal, e o apresentei no ulterior primeiro dia de trabalho à vista de alguns colegas e amigos, mas não a todos, no formato PDF. Foi uma mensagem comum, um texto de email bem simples - embora longo - o qual eu transcrevo quase sem nenhumas alterações logo mais a frente. E depois disponho um link para download do arquivo respectivo. Note-se que o chamamento na segunda mensagem (a primeira pela ordem desta página) está no singular, apesar deu ter a encaminhado para mais de uma pessoa… é que fora feita a entrega por meio de “cco” (cópia oculta), o que explica o fato. Vejamos como se deu:





-- Enviado após o Natal --


Prezado(a), boa tarde.


Se a e os valores bíblicos têm um papel central para ti, eu gostaria de compartilhar um pensamento que me parece essencial. O que tenho a lhe dizer fora aproveitado de algo que escrevi na autarquia onde trabalho (ver mensagem ao final, direcionada a Maria [nome fictício] – Secretária do Diretor-Presidente da instituição), faz poucos dias. Será reflexo do que vem por aí no meu blog "Kara Ystúpido", que espero que você visite a partir de 2010. Começarei a atualizá-lo, assim que for possível, isto traduzindo quer dizer: assim que a ressaca dessas festas passar... [risos]. Mas voltemos ao que iria falar anteriormente: Conheço indivíduos que se dizem abertamente ateus e cuja vida, entretanto, parece profundamente impregnada desses mesmos valores seus. Além do mais, eles acreditam profundamente no homem, em sua capacidade de superação. A benevolência, o altruísmo, o espírito de responsabilidade e de progresso, o riso e a alegria estão presentes em todos os atos que realizam. Muitas vezes nunca chegaram a ler a Bíblia. Os evangelhos não fazem parte de sua cultura e, entretanto, eles parecem estar intimamente impregnados dela. Com freqüência, sou interpelado por tais pessoas que parecem estar naturalmente tocadas pela graça, assim como acredito que você também (falo de ser interpelado...). Uma das conclusões a que chego é que essas pessoas são muito mais “cristãs”, na realidade, do que muitas outras que se colocam como tal e cuja coerência entre o discurso e os atos é muito mais discutível.

Não quero mudar crença de ninguém, nem tocar ninguém, pois sei que nos manipulamos ao nos organizarmos para que nossas crenças sejam confirmadas, pelo menos em boa parte das vezes. A afirmação trivial a seguir expressa o fenômeno: “Quando vemos o que vemos e escutamos o que escutamos, temos bastante razão para acreditarmos no que acreditamos!”. Você pode, então, reforçar suas crenças apoiando-se sobre lembranças de experiências pessoais que testemunhou e que de fato “você tem a razão em acreditar no que crê”. Apenas ofereço-lhe uma troca, um pouco da sua experiência por um pouco da minha. Por que não compartilharmos nossas diferenças?

Não se trata de escutar meus depoimentos e agir em oposição a eles numa atitude de fala maniqueísta, na qual eu seria julgado “ruim” e o outro “bom”. A dualidade só é visível nos meus olhos e não nos seus? Será que ela, somente, não nos convida a refletirmos para discernir como nos situamos situarmos?

Por isso vou repetir, como disse a colega Maria, que faço uma única RESERVA no que expus até agora (tanto no anexo PDF, quanto neste texto): que tudo foi fruto unicamente de minha experiência pessoal mesclada a coisas que li num universo que geralmente gera desconfiança sobre as pessoas – a internet. Daí que não tenha as informações minhas como algo absoluto e de todo coerente.

Sinceramente, em determinadas situações eu até percebo que Deus tem muito humor, principalmente quando leio o que as pessoas dizem Dele na net. São um pouco menos despreocupadas preocupadas na escrita, não rebuscam, falam direto o que pensam, embora algumas anonimamente. Infelizmente, fazem isso porque há quem sofra represálias por ser dessa ou doutra religião. Nessas que cometem represálias – o agressor ou agressora! - eu apenas espero a (ação de) transformação. Pois quando o coração de uma pessoa se transforma, o mundo inteiro começa a tremer sobre suas bases e entrar em mutação.

Por fim, escrevo um trecho adaptado de “Teillard de Chardin” [Le milieu divin (O meio divino), p. 51-54]:  

“[...] Deus nos espera a cada instante na ação, na obra do momento. Ele está, de alguma maneira, no final de minha caneta, de minha picareta, de meu pincel, de minha agulha, de meu coração, de meu pensamento”.

       

PS. : Estou encaminhando esta mensagem somente às pessoas das quais sei que não se sentirão ofendidas pelo conteúdo escrito por mim, por serem minhas amigas ou por já ter efetuado outros contados (diretos ou indiretos). Também, devido ao fato de acreditar que a mensagem anterior (abaixo) não foi direcionada a muita gente, como sempre… ou quase sempre acontece, em órgãos públicos, quando não somos da “hierarquia adequada” ou não compactuamos com a mesma fala da “maioria” e, mormente, dos outros com esta hierarquia referida. Enfim, vocês sabem…

Além, é claro, de o ano já estar terminando e não subsistir mais  tempo para eu aguardar por decisões dos outros.


Obrigado pela atenção de todos! Thúlio Jardim.

 



KY - Champagne Mensagem entregue em 28/12/2009:

Título do Assunto - Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo!

Anexo p/ download - Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo.PDF




Prezada Maria [nome fictício], tenha um bom dia.

Por favor, receba este arquivo que vem em apenso e que está no formato PDF. Fora eu que o fiz, com a seguinte ressalva: ele foi todo elaborado a partir de minha experiência pessoal e coisas que li na internet. Não o tome, portanto, como algo absoluto e não passível de correção. Eu sou falível como qualquer ser humano. Decidi intitulá-lo desta forma, por conta notadamente do texto de Mário Maestri, o qual se encontra na mesma mensagem.

Se for possível, por gentileza a leve ao conhecimento de todos ou, pelo menos, a parte dos servidores desta autarquia.

Eu agradeço desde já,




3 comentários :

Hélio disse...

O texto pode até ser simples, como colocou o autor, mas a forma como o tema foi pensado, planejado e talhado, está deliciosamente perfeito.Mesmo aqueles que professam opiniões diferentes com respeito a crenças ou modalidades representativas de fé o leriam sem se sentir ofendidas e esta é a maneira correta, penso, de se tratar um assunto com esse teor e, por isso acho o texto de um bom gosto e de uma profundida esplendida. Nem consigo comentar!![risos] Perfeito!!

Thúlio Jardim disse...

Grato pelo uso do termo "profundidade esplêndida" e da oração "mesmo aqueles que professam opiniões diferentes com respeito a crenças ou modalidades representativas de fé o leriam [...]", em especial o verbo "professam" que dá a entender que me chamaras, agradavelmente, por professor. Quando, na verdade, bem sabes que sou aprendiz de aluno...

Thúlio Jardim disse...

E como há muitas crenças, não saberia abordar apenas uma. Pego o que há de bom de cada uma. Considerando a Bíblia, por exemplo, ela ensina que antes da salvação, mesmo estando vivos, todos os homens e mulheres existem num estado de morte espiritual ou separação de Deus. Qualquer que seja o conceito de Deus que tenham, eles não aceitam o único Deus verdadeiro. Daí porque o próprio Jesus disse: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos", ensinando explicitamente que os seres humanos vivos ao redor dele estavam, no que dizia respeito a Deus, espiritualmente mortos (Lucas 9.60; Romanos 3.10-18). ;)

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