sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Mais Triste do Mundo

 

“Angústia é querer ser feliz todo instante.”


A felicidade é um truque, uma ilusão, uma desesperança. Como não cansam de repetir os poetas e os chatos, é breve. A cada “conquistar” de alegria, surge sempre uma nova necessidade não disfarçável. E vamos levando isto muito a sério: vivemos uma época em que temos a sensação de que somos obrigados a ser sempre felizes, feito numa compulsão… devemos ostentar a todos o sorriso. As pessoas tristes são indesejadas, vistas como completas fracassadas. Algumas chegam a ser pisadas, de maneira intolerável. Por isso, a doença do momento é a depressão, e este momento já dura uma década e mais… Ela é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço - como afirmou o escritor francês Pascal Bruckner, autor do livro “A Euforia Perpétua”. Muitos de nós estão fazendo força demasiada e a debalde para demonstrar felicidade aos outros – e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso hasteado: uma fonte de ansiedade terrível.

Felicidade, por definição, é um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam - semelhante ao que acontecera com os habitantes da Cidade Mais Feliz do Planeta. Portanto, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável. Ainda bem que a felicidade é temporária, não?! Nestes termos… Pois é a busca dela que nos empurra para frente.

Muita gente acredita que é possível viver uma existência só de altos, sem nenhum ponto baixo, sem tristeza, sem sofrimento. E alguns estão dispostos a conseguir isso sem esforço algum, só à custa de antidepressivos. Mas se “a vida é sofrimento”, já se dizia num dos preceitos de alguns religiosos, em especial os budistas. Os cientistas apenas confirmam. Ter a consciência de que tal emoção é inevitável, pode ajudar. Sim, isto mesmo! Saber que o sofrimento é certo, pode trazer a felicidade, ao passo que diminui certamente a ansiedade. Com o sofrimento, a felicidade não vem adida, porém quando temos o conhecimento antecipado da chegada de uma dor, damos tempo para a aceitação, adaptação… e, pelo menos assim, a tristeza se abranda. Convém lembrar também que não há sentimentos, nem bons nem ruins, que durem eternamente.

A felicidade não é um fim em si, e sim uma conseqüência do jeito que você leva a vida. As pessoas que procuram receitas e respostas complicadas para ela acabam perdendo de vista os pequenos prazeres e alegrias. E, novamente, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável!

Low, 29 de janeiro de 2010.


Referência: Revista Super Interessante, abril de 2005. A Ciência da Felicidade.

 

 

KY - O Homem Mais Triste do Mundo

 

Agora iremos à leitura de um soneto. A poesia feita pelo meu amigo e colaborar no blog, e a qual está dando título a este artigo:

 

 

 

 

O Mais Triste do Mundo
Thúlio Jardim, 18 de junho de 2009.


Em seguida a perda, um extremo desânimo duma dor extraordinária
Da angústia sem fim que no peito se avulta demais dolente
Num progredir para se tornar a presença mais-que-ordinária
Confesso que jamais tive, em época qualquer, esse ultra-sofrer…

Que não morre, quer vir a ser a prostração tão permanente
Como o porro da solidão que cresce em toda decadência e dilúculo
Uma consternação de tal modo, porra, quem é que entende?!
E que sou, assim, quem sabe, o mais triste do mundo…?

Tira-me veloz a vida, não abandonada dum choro largado, terrível
Que qual respiração, na fossa, fez-se tanto inexeqüível
Assim como já não posso ter parras alegres a esta altura…

Meter-me-ei de vez em um sepulcrário amaldiçoado e distante
Próximo de nenhuma alma viva ou criatura amante
Que me faça lembrar daquele amor perdido, falso e vagabundo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Seriam Nuvens Apenas?

 

A temporada de feriados respeitantes ao natal de 2009 e ao ano novo de 2010 se aproximava, quando eu - em Recife - estava a tomar alguns goles do meu café, como sempre faço durante o expediente de trabalho. A época festiva fora planeada por mim para ser algo doce e alegre, bem diferente dos anos ruins anteriores, que deixaram muito a desejar e se assemelhavam ao acerbo saibo do café quando não é açucarado.

Tinha feito promessas muito poucas, mas não tão fáceis de serem cumpridas! Tinha bolado um acervo de coisas loucas, para dizer aos ouvidos da minha namorada querida… Realmente, ficava feliz só de conjecturar estar ao lado da garota de quem mais amo. Talvez, por isso, o surto de contentamento e o andar absorto eram meus e algo certo de se ter.

De modo inelutável, até de forma que não poderia afirmar que algo ruim não pudesse vir a acontecer…, eu estava solto de mim - exteriorizava o meu olhar de prazer. Havia dado um salto, naqueles minutos, para me achegar numa cidadelha do interior de Pernambuco - local onde vivi por mais de uma década! De sorte, minha velha memória traria o aroma da terra, o sopro do rio Pajeú no peito e a imagem linda do açoutar do sol a bronzear a pele branca e nua, igual à lua, daquela que me deixava de queixo no chão e tirava toda a minha atenção e o meu jeito fuá.

Falar dela é sempre uma felicidade, uma aspiração e inspiração ao mesmo tempo. Porém o assunto aqui será outro. Vou logo acautelando para você que as aparências às vezes enganam, mas chegaremos a este ponto mais adiante, depois que você olhar fixo a imagem a seguir.

 

KY - Nuvens e Vegetação

Quando vejo belas texturas e cores sutis, elas me agitam para fora de uma rotina e são o chamariz da minha criatividade. É quando eu aplico as aurículas para o som da natureza, envolvente, longe daquele ramerrão que acontece no trabalho ou na cidade. Um pouco infundido pelo estro, torno-me mais feliz e me surpreendo bastante com o que eu sou capaz. Não demora, vem um fruto que me exulta. Sai, inevitavelmente, uma poesia bem bonita - chafariz de palavras que diz o que estou a sentir…

E as texturas então dessa primeira imagem?! A impressão que eu tinha era a de estar olhando para a capa de algum disco de uma banda dos anos 70, pintado psicadelicamente… Mas o que é, afinal?

Seriam nuvens apenas? Negativo! Talvez uma fotografia aérea delas ao longo de um manguezal tropical…? Nada! Quem sabe um extremo close-up da textura requintada de uma Lã com Cashmere!? Nananinanão…

Na verdade, tenho vergonha em admitir, isto daí é o que eu encontrei dentro da minha xícara de café que utilizo no trabalho, quando do regresso ao serviço em 04 de janeiro. [Para ser mais franco, foram dois dos meus colegas – Charles e Amara – que encontraram…]

 

KY - Café e Fungos

Verdadeiramente repugnante, e ainda assim belo e estranho.

Eu sei que é superficial a trama. Mas por que é tão surpreendente?! Qual o porquê de tantas cores? Algumas partes são verdes, outras brancas, além do amarelo. E como veio parar aí? Teria vindo flutuando no ar junto à umidade? Ou simplesmente “brotou” de algum ser que já se encontrava lá, de forma inóxia? Não fora assim, acidentalmente, que se deu a descoberta da penicilina? Por acaso, eu estava à beira de promover algum grande avanço na medicina? Difícil de dizer…

Se eu tivesse o tempo necessário para encontrar as respostas para estas perguntas, quem sabe…

A única coisa que sei com convicção é de que se tratava de colônias de fungos. Eu cursei quase 3 períodos do curso de bacharelado em Ciências Biológicas, pelo Centro de Ciências Biológicas – CCB – da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Antes de trancá-lo, tive tempo para aprender a fazer tais culturas. E a época ideal é a presente - a do verão, por causa da temperatura. Um lugar úmido ajuda também…

Os “senhores fungos”, conhecidos ainda como bolores, mofos ou cogumelos, estão interferindo constantemente em nossas vidas. Eles são tão importantes que hoje compõem um reino à parte, lado a lado com os reinos vegetal e animal.

A cultura, quando fazia para fins de estudo pela UFPE, era criada passando um objeto estéril num local já “afetado”, que era friccionado-transferido para as placas de Petri (60 x 15mm). Tal procedimento - chamado de esfregaço - tinha por objetivo fazer o fungo proliferar, dando origem às colônias, para que pudéssemos fazer a identificação.

Por meio de preparações em lâminas e observações ao microscópio nos laboratórios do CCB, identificavam-se os organismos baseado em suas características morfológicas. Após o período de incubação de aproximadamente sete dias, discos com micélio de cada fungo eram transferidos para placas de Petri de 150mm de diâmetro X 15mm de altura (sendo um disco para cada placa) contendo Agar. O crescimento radial do patógeno era analisado em seguida, por períodos próprios. Enfim… 

Agora, iremos à curiosa e jocosa maneira de se improvisar uma cultura de fungos em uma xícara de café, como eu fiz sem querer…


Para fazer sua própria cultura:

Vou avisando que você só vai conseguir criar sua própria cultura de fungos se morar sozinho ou trabalhar em algum local propício para o tal experimento, porque senão vão jogar sua xícara fora antes que ele acabe. Aliás, esse é outro aviso. Você vai perder uma xícara, a não ser que tenha coragem de lavá-la depois para reutilizar. Eu não tive. A minha foi direto pro lixo, e olha que ela era novinha. Um tanto irônico foi o fato de que nela havia estampada a palavra SAÚDE, em japonês. Era tão bonita e grande… num plástico muito resistente - presente da chefe, branco feito porcelana. Tava mais para caneco, razão deu batizar desse modo.

Siga os passos:

  1. Faça uma xícara de café quente em grande quantidade, que é tão necessária para te despertar, principalmente se estiver no trabalho. Ativará os seus nervos enquanto usa o computador…
  2. Já tendo feito, em seguida “esqueça” a xícara de café, como você esqueceria, se estivesse bêbado, de ir para casa ao final de uma farra festa. Aconselho a deixar atrás do monitor, se possível…
  3. Daí se distraia completamente (não veja fotos de mulheres peladas, estamos considerando que você está no trabalho, atenção!), depois  vá viajar, tire uma folga! Deixe-a, “profissionalmente”, por uma semana toda naquele lugar, assim como eu fiz durante os dias 30 de dezembro e 04 do corrente mês, quando estava distante, aproveitando o Réveillon a aproximadamente 500 Km da minha cidade natal, junto a amigos.
  4. “Re-descubra” a xícara de café assim que regressar de viajem e for usar o computador novamente.
  5. Pronto! Depois que você olhar bastante, tire umas fotos e jogue a xícara fora, totalmente esvaziada, do contrário a embrulhe em pelo menos 2 sacos de lixo dos grossos antes de fazer isso. O.K.?

 

 

PS 1:

Eu estava pensando em colocar a xícara de volta, para ver se ela se transformaria em algo ainda mais interessante… mas eu não sou tão corajoso! Fiquei com café-fobia por algum tempo, foi um baque, contudo não durou mais que uma semana. Não se assuste com isto, pois não significa que contigo acontecerá o mesmo problema. E se houver, confio que será só por um período curto, bem menor que o meu…

 

PS 2:

Este acontecimento me fez lembrar ainda algo hilário que aconteceu faz quase 10 anos, quando eu morava na casa de um tio, aqui em Recife, no bairro de Boa Viagem. Simplesmente a minha empregada (que eu não gosto de chamar assim, pois é como já se fosse da família…) encontrou um queijo com fungos na geladeira dele e jogou, de imediato, fora!

O que ela não sabia é que se tratava de um Roquefort, uma variedade de queijo originalmente francês, produzido com leite de ovelhas e de massa com consistência cremosa e esfarelada, com casca úmida e sabor acentuado e picante. Queijo o qual, diga-se, é fabricado tal como o das variedades Gorgonzola e Camembert, injetando-se fungos (bolores) na massa, neste caso os do tipo Penicillium, que passa, a seguir, por um processo de maturação de três meses.

São estes fungos que desenvolvem no Roquefort a aparência característica com veios verde-azulados, que lhe dão um gosto especial. Pena que ela não sabia deste detalhe, e mais chato ainda o fato de o preço dele ser acentuado assim como o seu sabor…

 


KY - RSS, Café e Jornal

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Paradoxo da Espera do Ônibus

E aí, caras!? Até que enfim posso postar algo aqui! Estava com muita febre, dores corporais que desciam e subiam pela espinha constantemente, além de um terrível congestionamento nasal que quase me impedia de respirar… Durou tanto tempo que, se não bastasse isso, fiquei em nóia – entenda-se aqui a forma carinhosa deu me referir à Paranóia – de que o Influenza A H1N1 havia me pego e o meu fim estava próximo. Por sorte, eu sempre me engano, quando radicalizo.

Agora que estou melhor, a postagem anterior do meu melhor amigo, fez eu lembrar de um vídeo que tinha visto ano passado e admirado bastante. Seu linguajar simples, seu cenário realístico, sua dublagem perfeita, acredito que servirão também para lhes encantar. Sendo assim, exporei o vídeo ao final deste post, juntamente com o texto dele que se segue após o PS e dentro da tabela. Este eu escrevi indo e voltando o player, o que me deu certamente muito trabalho. Mas foi recompensador…

PS – Percebam que se trata de um filme CÍCLICO, isto é, o fim ainda é o começo. Louco, não? Pois é isso mesmo! E o melhor: foi baseado em várias histórias reais (inclusive a minha, a sua, a de um amigo seu… etc.).

 

KY - O Paradoxo da Espera do Ônibus

- Porra! Não passa ônibus… Pelo o que sei ele ainda circula de madrugada. Mas quanto mais ele demora, também mais perto ele está pra passar daqui, né? Porque se esse tempo todo ele não passou, quer dizer que ele tá vindo… pelo menos na teoria, né? Nunca se sabe, né? Sei lá.

- Eu podia pegar aquele outro que dá uma volta do caralho. Esse sim de vez em quando passa. Mas o meu vai mais rápido. Só que a demora do meu ônibus tá pedindo pra eu pegar o outro. Sem falar que agora não tem trââânsito, o motorista sai voado... Mas a volta que ele dá é perigosa, caminho é sinistro! Pô, mas ficar sozinho aqui também é sinistro. E ainda por cima esse outro me deixa num ponto mais longe que o meu. Eu tinha que caminhar um pouco… Mas também não é muita coisa não. Mas aí tinha a chance de acontecer alguma coisa comigo. Mas ficar aqui sozinho também é foda! Só que eu nem sei se passa aqui neste horário, tenho quase certeza que passa. Peguei ele na quarta... nesta mesma hora. Bom, hoje é sábado. Não sei se ele passa nesse horário no final de semana!... Ouvi dizer que passa, mas ninguém às vezes se engana, né?!... Talvez passe, né? Talvez não passe...

- O foda é se o meu ônibus chegar assim que eu entrar no outro. Melhor eu esperar já que pela demora o meu já deve tá chegando. Quanto mais ele demora, mais tá perto ele tá pra chegar. Quanto mais eu espero, menos vou ter que esperar. Cara, que doidera é essa que eu pensei!? ‘Quan-to ma-is eu es-pe-ro, me-nos vou es-pe-rar...’ Bonito isso! Filosófico…

- Oh! Ó o outro aí... Veado! Corno! Nst! Pego ou não pego essa porra? Pego ou não pego? Pego ou não pego?... Ah, já foi também... Pô! O meu já deve estar vindo, só pode, né? Não é possível que não, né?

- O jeito é esperar...


 

Desenho desanimado de Christian Caselli; Desenhos de Gabriel Renner e narração de Chico Serra.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Egoísta e Calculista

ESTA POESIA É BASEADA EM FATOS REAIS, que se sucederam quando eu saí de casa em direção ao trabalho, hoje pela manhã.

Não é uma das melhores já escrita por mim, porém está entre as mais recentes, verídicas e que foram feitas em menor espaço de tempo. Vamos a ela:

KY - Parada de Ônibus

Egoísta e Calculista
Thúlio Jardim, 18 de janeiro de 2010.

Hoje eu fiquei puto com o puto do meu irmão
Disse-me que saísse de casa antes dele,
Embora nós trabalhássemos juntos,
Porque, meu caro, ainda iria demorar muito…
Naquela ocasião, a espera de seu carro
Levaria muito mais do que alguns segundos…

Chegando eu na parada de ônibus
Infelizmente, restava-me pouco tempo
E, para piorar, nenhuma condução sequer passava
Quando eu, então, lobriguei próximo a uma lombada
O meu dito irmão que se aproximava
Com pressa, feito uma bala!

Pensava que não havia me visto
Até quando estávamos na labuta
Diante dele fiz um questionamento:
- Por que você não parou para mim, sua porra?!
Se fosse eu uma estagiária ou uma puta…
Não demonstraria similar egoísmo!

Fiquei ainda mais transtornado
Ao ouvi-lo explanar os motivos do seu bispar
Falou-me que sim, tinha me avistado…
Porém, para mim, não poderia parar
Senão também chegaria atrasado
E, financeiramente, nós seríamos dois lesados!

Logo, percebi, que além de consangüíneo egoísta
Ele mostrou a todos a sua face um tanto calculista
Correligionário dos interesses próprios!
Foi um safado! Tal que eu não me importo
Se a imagem dele virá assim tão denegrida,
É para que nunca mais ele me agrida…

Dessa forma, não me permita
Que eu oculte dos outros este meu ódio
Pois agora tanto me açoda!
A falar o quanto foi foda…
A falta de camaradagem…
Que, no meu mano, extrapola!

E não há uma gota
De sentimento, neste cara,
Que me fez perder 1/3 do ordenamento diário
O que já era pouco… agora se esgotara!
Como faço para apagar a mágoa, a dor?
E o meu alto saldo devedor?! Como pago?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ai de ti, se esqueces o Haiti…

KY - Charge JC, 17 de Janeiro

O Haiti, onde fica? Não é só aqui nem acolá. Encontrando-se, hoje, em todo lugar… Incorporou-se à humanidade, convertendo-se em dever moral. Era um caos até esta terça-feira (12) à noite, e agora o terremoto o tornou algo pior. Um inferno de magnitude 7 que assolou a região e, apesar deste título, veio para ser na verdade um traço de união entre os 7 continentes – subdividindo-se aí a América em América Latina e América Anglo-Saxônica. O primeiro passo dado, foi por Raul Castro e Barack Obama: Cuba autorizou vôos americanos no seu espaço aéreo em missões de evacuação e socorro às vítimas da catástrofe. Pois há ainda muitos feridos e gente presa sob os escombros. E os que não estão nesta situação precária, mesmo assim sofrem pela falta de alimentos e medicamentos/assistência médica, além de continuarem muitos sem suas moradias. Contabiliza-se cerca de 3 milhões de desabrigados!

Em termos de segurança, a situação do o Haiti é tensa, porém está sob controle. No geral, as pessoas de lá agem de maneira muito digna e calma. Pode ser que aconteçam alguns saques, mas, até agora, as tropas da Minustah, pelo que se sabe, estão conseguindo manter a ordem. O que se insta é toda a ajuda que se queira prestar. Sem luz elétrica, água potável, comida, muitas vezes sem ter o que vestir além da roupa do corpo e sem ter para onde ir, é grande a tristeza. O enleio diante da desgraça que se formara, deixou-nos atentos ao que antes era alheio… mesmo aos olhares mais aplicados. Para acudir tamanha tragédia, os governos, as autoridades internacionais, as organizações não governamentais e os cidadãos de todo o mundo se juntaram, movidos pela compaixão, pelo sentido de responsabilidade política e por imperativos éticos e morais.

Nos escombros da capital haitiana, nas valas comuns onde estão sendo enterradas milhares de vítimas, neste planeta fragmentado e acabrunhado por confrontos intermináveis ressurge o indício da aproximação. Uma aproximação sem pré-condições, sem negociações, sem política e artimanhas ideológicas, feita no impulso da solidariedade! Solidariedade é um antídoto para a dissensão, ressentimentos… é sentimento mais efetivo, eficaz e, sobretudo, mais justo do que caridade e comiseração. Afinal, não adiantaria só a esmola ou a lástima, é preciso e precioso o empenho no socorro urgente. Indispensável a solidariedade, precipuamente! Porquanto ela não hierarquiza, iguala… faz da doação um processo mútuo. Autoestima multiplicada. Serve às religiões, aos crentes e descrentes, devotos e céticos. Resulta em repulsa auto-extinta, diante à pobreza. Somente aos fanáticos, a solidariedade crescente e qualquer tipo de reciprocidade abominam.

Já era merecida uma pausa em nossa atribulada desatenção para com o povo daquela paragem. Sem remoques, estou sendo bastante direto! Muitos de nós recusamos recusávamos a presença daqueles habitantes em nossa paisagem, os vendo como um estorvo ao progresso e, se fosse para nós possível, a reboque os levaríamos para outro local – o mais distante, longe do alcance do globo ocular humano.

O Haiti, muito embora estando no hemisfério norte, permanece um dos países mais pobres do planeta e com uma das maiores densidades populacionais, sendo 90% de sua população de ascendência africana. De tal forma que não é mais concebível desconhecer a trágica condição vivenciada no passado, de miséria e violência, e a imagem que se compusera atualmente, dos destroços, da falta de indústrias e infraestrutura, da carência de lideranças políticas e da sujeição à tutela de outras nações, que nos salta na tevê - em tempo real - e desperta nações entorpecidas para o que deverá ser uma das mais dramáticas operações de salvamento de nove milhões de seres humanos.

A imagem, feita de sangue e lágrimas, está aí, ao vivo, reabrindo feridas de uma história sinistra que começou no século 16, quando uma parte da população nativa foi escravizada e outra morta pelos “conquistadores”. O Haiti, antes, fazia parte de um universo de países riscados do mapa, quase inexistentes. Mas a tragédia inverteu a situação. Nos tocou a todos, e não estou sendo redundante. Quem ainda não ouviu falar deste país?… Realmente, certas coisas que nos atormentam ou atormentavam se tornaram menores, até insignificantes, diante de um mal tão grande como o que golpeou aquele local.

Por fim, pergunto-me por que raios (ou seriam terremotos!?) não antes cuidamos de maneira preventiva desta parcela já tão excluída de “criaturas”? Por que razão se deixam as coisas chegar a tal ponto, apesar destas terem sido oriundas, não neguemos, de um tremor de terra? Será que não nos esquecemos de cooperar também, e por isso sobra-nos a culpa? Você poderia imaginar que a problemática existente lá, seria um tanto menor se fosse aqui? E o que aconteceria novamente, se você, depois de alguns meses, simplesmente se esquecesse do Haiti? Aí de ti, se esqueces! É disparatado! Porque o fato de nós não prevermos a fúria da natureza, não significa que não devemos nos premunir para que as suas conseqüências sejam menos desastrosas… Nem que devamos pôr de lado os mais necessitados!

 

Thúlio Jardim. Recife, 17 de Janeiro de 2010.

 

 

Referências: Jornal do Commercio, dias 16 (em Opinião Editorial) e 17 de janeiro (Opinião, texto “Onde fica o Haiti”, de autoria do jornalista Alberto Dines).

Imagem: A charge representativa do que escrevi, fora tirada do portal do sistema JC de comunicação, estando rubricada por Ronaldo.

 


 

KY - Mapa do Haiti

PS 1– A situação vai mudando com o passar dos dias. O que escrevi acima reflete o que acontecia no Haiti até a data assinalada – 17 de janeiro. Uma informação mais atual e extremamente medonha, ao ponto de parecer surreal, está bem apresentada no link abaixo. A reportagem é da Edição Veja 2149 / 27 de janeiro de 2010, no especial: “Haiti, do caos a esperança”.

O caos depois do desastre “[…] As grandes catástrofes têm um aspecto surreal. O que é mais necessário parece óbvio: água, comida, energia, socorro médico. De repente, alguém pensa: dinheiro também, como a sociedade vai se manter sem ele? […]”


PS 2 - Completando este artigo, eu publico ainda um vídeo, mais um link interessante com parte do seu respectivo texto – escrito em 14 de janeiro – no blog de Aloisio Milani. Assim, espero que entendamos um pouco mais o que aconteceu/acontece no Haiti:

Haiti e o “estado de sítio” permanente “Não foi só ontem, não é só hoje. O Haiti vive um ‘estado de sítio’ constante. Quando não ‘treme’ pela pobreza extrema – aqui entendida como desemprego epidêmico, fome crônica e a ausência de saúde e educação públicas -, é a vez das crises políticas e das tragédias naturais: tempestades tropicais, enchentes e furacões. [...]

[...]

Porto Príncipe já possuía uma infra-estrutura precária. Energia elétrica era luxo. Quem tinha convivia com apagões diários. A distribuição de água era feita, muitas vezes, por caminhões-pipa e fontes de água. Em bairros inteiros, a população se abastecia com baldes. […]”


* Cité Soleil - É um bairro símbolo da violência no Haiti. Tem 300 mil sobreviventes, aproximadamente. Gente que, quando consegue uma refeição diária, já agradece. Rotina mesmo é não ter nenhuma…

Antes disso, ainda na ausência de tudo, haitianos de fé inquebrantável rogavam o dia em que pudessem ter ao menos uma igreja, no alto da montanha. Até tinham, mas o único templo na quase inacessível vila de Espinázia, a duas horas de Porto Príncipe, era de madeira e lona. Um vento mais forte já interrompia o culto. A idéia de levantar uma igreja tinha partido do chamado “núcleo evangélico”, grupo formado por militares protestantes que integrava o contingente do Comando Militar do Nordeste (CM-NE) na missão. Hoje, um ano depois de construída, a igreja continua lá – resistiu ao terremoto. E é a expressão da felicidade e o agradecimento de um povo, que teve um de seus sonhos concretizado.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Melhor O Fenecer!


“[...] Quando a velhice efetuar sua presença amarga, com ela muitas vezes vêm doenças, não raras que te matam. Fazer o quê?… Tornar-te afeito ao fato deste já! [...]” (Thúlio Jardim)


Oi, meu nome é Thúlio Jardim. Eu sou o melhor amigo do Low e também escreverei aqui com certa freqüência. Talvez vocês até se confundam, sem saber quem é que está a redigir em determinado momento, afinal eu e meu amigo somos demais parecidos…

Ontem, o meu tempo foi abreviado. Um tanto frenético, para ser mais direto. Meus pais chegaram de viagem do interior, e a primeira coisa que tive de fazer foram as malas. Não, meu caro, não saí de casa… embora não negue que seria até uma boa, naquela sazão! Fora necessário, pois no meu quarto a minha bagagem ainda estava intacta, desde o Réveillon, há mais de duas semanas atrás. Pode parecer inacreditável, ratificação da minha ampla preguiça. Contudo, vejo por outros termos. Apenas não havia razão deu organizar minhas coisas, elas estavam todas em cima da minha cama e, entretanto, nada me impedia de dormir tranqüilo.

A minhas roupas, algumas soltas, também se encontravam junto a objetos e acessórios de valor sentimental. Como meu irmão caçula - aquele sortudo! Estando de férias, não se aquietava em casa um segundo, o quarto dele já era minha posse desde o início deste mês. Enfim, realmente não havia motivos mandatórios para eu pôr as roupas no armário. Até a chegada dos meus pais ocupando o quarto onde eu estava, infelizmente…

Quando finalmente terminei, vi entre uma calça jeans e uma camisa, um debuxo de um texto. Já havia até me esquecido que, pasmosamente, tinha feito algo no dia 01 de janeiro, ainda lá no marasmo da minha cidade… aquela dos tempos da infância. Tentando, nisso, representar o lema que sigo de “corpo velho, mente jovem”. O título, bom… é o que transcrevo a seguir, e permanece idêntico ao que estava de lápis no rascunho amarfanhado:


KY - ''Corpo Velho, Mente Jovem''


MELHOR O FENECER!
(Thúlio Jardim. 01 de janeiro de 2010.)


Tropologicamente, é possível ser sempre jovem, basta querer, foi o que ouvi por aí sem tropeços… Mas, amigo, ser sempre jovem para quê? Não é normal envelhecer?! E se o que me apraz seja apenas viver mais, de maneira plena e talvez discreta, o que me resta e o real? Será que meu pensamento te embaraça?! Os planos que o Senescal traçou há tanto tempo não são outros, nunca foram poucos, e outrora a eternidade virá para mim. Singelamente, sem festa solene ou confetes, é tudo igual (para todos!) no fim. Eu não sou o único com destino “ruim”… compartilho contigo o mesmo papel neste desenho.

Senectude não é o mesmo que decrepitude! E aquela não deveria ser infelicidade para ninguém. Se bem… que concordo que com a idade vêm dificuldades e estas podem trazer dilemas. A questão é sua atitude diante deles, para evitar a nescidade. Pois mesmo que você seja um jovem agora a me ouvir, o seu abril passará também. E ainda que isto demore, o seu presente não traz a certeza de que a tristeza não decorrerá perversamente. Não a descarta! E quando o inverno chegar, maiores problemas surgirão na sua casa, além de tristezas… Quando a velhice efetuar sua presença amarga, com ela muitas vezes vêm doenças, não raras que te matam. Fazer o quê?… Tornar-te afeito ao fato deste já! Isto é uma necessidade.

Dá certa raiva, não? Até brota com força e é fidedigna, por ser resultante do desconhecido que não só choca, como devora o que for fleuma. As cartas que Ele lança na mesa são postas com inteligência, perto ou à distância, não representam apostas sem fundamentos. Saiba disso… Às vezes, são penas que para nós tem um sentido – a expiação que tira a paz, traz seu lado bom igualmente. Todavia saiba sem com isso deixar-te a ser guiado pelo acaso. Erija as pontes para transpor o que se tornar um obstáculo. Tudo servirá para nos ajudar a ser alguém capaz de entender a vida. Melhor o fenecer! Da tolice que se enraíza, da santa ignorância, da bendita estultícia…

Por que o afastamento deste viço tende a ser visto com uma capa de tormento? Se a chegada da vetustade tem lá seu alento!? Nela, a experiência nos aguarda, se faz tocante. A sabedoria nos alcança, é fascínio, mas não significa que fácil. Ah, e a mente! Deixa as lembranças sempre nos guiando para frente. Se fôssemos apenas crianças, imagine-nos sozinhos e sem rumos… Fuçando o escuro deste mundo… Não teríamos prumos e estaríamos certamente em apuros. Nessa vastidão, completamente indefesos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Hit do Blog: Nasci para Chorar

 

Tão logo ao vir a idéia deste blog fixamente em minha mente e na do Low, ao ver o seu layout agora quase feito e ouvir alguns poucos comentários à respeito, decidi buscar algo que, similar ao Hit de Móbile-dum-Astronauta [um dos meus blogs], representasse a totalidade desta “obra”. Talvez, que trouxesse a sinestesia que gostaria de sentir, da melhor forma possível, e que fizesse me lembrar rapidamente e aos outros, quando do soar de uma simples nota, as anotações e emoções que transcrevo aqui, impecavelmente.

E o agente para isto, seria o som de uma voz melodiosa. Voz que caísse bem no gosto do povo que visitasse este rancho, voz que transmitisse artisticamente o que muitas vezes é visto com lágrimas – a tristeza. Que fosse surpreendente ou apenas servisse para simular um pouco como seria o arranjo deste espaço, ainda moço. Tinha de ser o canto de alguém grande, incontestavelmente, para me deixar alegre, de sorriso ancho. E esta pessoa, tendo título de majestade, fora a escolhida merecidamente – O Rei Roberto Carlos.

A canção?! “Nasci para Chorar”… Uma ótima interpretação da “Born to Cry”, de The Hives. Para facilitar, irei expor não só os vídeos destas canções, mas também da versão em espanhol e de uma teatral. Vocês certamente irão achar legal! Há outras [inclusive as somente dubladas…]. Uma delas cantada por Cássia Eller… outra, Toni Platão… algumas por calouros… talvez pessoas anônimas... Mas, para o começo, as que lhes apresento já estão de bom grado:

 

  • Com o Banner do meu Blog:


  • Com a atuação teatral:

 
  • Com a canção original (em inglês):


  •  Com a versão em espanhol (por Roberto Carlos):

domingo, 10 de janeiro de 2010

Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo!


O Natal já veio e já foi. Imediatamente se foi… Como as luzes que subiram, que desceram, que fizeram rodopios e explodiram em mil cores e pedacinhos diferentes, em um mundo diverso e cheio de males, agora afastado. E de certa forma, como muitos.

Carente sim, eu estava naquele dia, enquanto via a cena e uma mulher conspícua, tão linda, que passava passeava serenamente ao meu lado [mas não sorria…], e um homem lá ao longe que cuspia no chão, depois pisava o cigarro… para apagá-lo.

O show pirotécnico cintilante deliciava as famílias, grupos de amigos e multidões não só pelo brilho, mas também pelo estrondo. Para mim era estranho tudo aquilo, tão constante a cegueira que trazia, a parecer conspirante! Aqueles humanos reunidos naquela hora, nem sequer espiavam a tristeza estampada nos meus olhos e nos deles próprios em outrora. A expiação que enfrentava não os despertava daquela utopia que tacteava suas mentes, não tapava o horizonte das mentiras e os “tapeava” do infortúnio, pois aquilo se tornara uma rotina.

Puxa, vida! Loucos doentes! Quando chegara a menina – a única – e me perguntara contente por que eu não estava sorrindo, eles logo se anteciparam: — é que ele foi, toda vida, um depressivo.

Depressivo, nada! Infeliz… tampouco. Pára! Digamos que eu era o único mais reflexivo e tranqüilo naquela festa. E nada a ver com o ano novo. Tudo a ver com estar vivo! E qual o porquê daquele verbo conjugado no pretérito? Por acaso eu já me fui?! Sei que o verbo não era este, o “ir”, mas sim o “ser”, contudo o tom… dava a entender certas coisas.

Agora, vos queria apresentar um texto de minha autoria, mudar o rumo da conversa um pouco. Ele eu escrevi em seguida o Natal, e o apresentei no ulterior primeiro dia de trabalho à vista de alguns colegas e amigos, mas não a todos, no formato PDF. Foi uma mensagem comum, um texto de email bem simples - embora longo - o qual eu transcrevo quase sem nenhumas alterações logo mais a frente. E depois disponho um link para download do arquivo respectivo. Note-se que o chamamento na segunda mensagem (a primeira pela ordem desta página) está no singular, apesar deu ter a encaminhado para mais de uma pessoa… é que fora feita a entrega por meio de “cco” (cópia oculta), o que explica o fato. Vejamos como se deu:





-- Enviado após o Natal --


Prezado(a), boa tarde.


Se a e os valores bíblicos têm um papel central para ti, eu gostaria de compartilhar um pensamento que me parece essencial. O que tenho a lhe dizer fora aproveitado de algo que escrevi na autarquia onde trabalho (ver mensagem ao final, direcionada a Maria [nome fictício] – Secretária do Diretor-Presidente da instituição), faz poucos dias. Será reflexo do que vem por aí no meu blog "Kara Ystúpido", que espero que você visite a partir de 2010. Começarei a atualizá-lo, assim que for possível, isto traduzindo quer dizer: assim que a ressaca dessas festas passar... [risos]. Mas voltemos ao que iria falar anteriormente: Conheço indivíduos que se dizem abertamente ateus e cuja vida, entretanto, parece profundamente impregnada desses mesmos valores seus. Além do mais, eles acreditam profundamente no homem, em sua capacidade de superação. A benevolência, o altruísmo, o espírito de responsabilidade e de progresso, o riso e a alegria estão presentes em todos os atos que realizam. Muitas vezes nunca chegaram a ler a Bíblia. Os evangelhos não fazem parte de sua cultura e, entretanto, eles parecem estar intimamente impregnados dela. Com freqüência, sou interpelado por tais pessoas que parecem estar naturalmente tocadas pela graça, assim como acredito que você também (falo de ser interpelado...). Uma das conclusões a que chego é que essas pessoas são muito mais “cristãs”, na realidade, do que muitas outras que se colocam como tal e cuja coerência entre o discurso e os atos é muito mais discutível.

Não quero mudar crença de ninguém, nem tocar ninguém, pois sei que nos manipulamos ao nos organizarmos para que nossas crenças sejam confirmadas, pelo menos em boa parte das vezes. A afirmação trivial a seguir expressa o fenômeno: “Quando vemos o que vemos e escutamos o que escutamos, temos bastante razão para acreditarmos no que acreditamos!”. Você pode, então, reforçar suas crenças apoiando-se sobre lembranças de experiências pessoais que testemunhou e que de fato “você tem a razão em acreditar no que crê”. Apenas ofereço-lhe uma troca, um pouco da sua experiência por um pouco da minha. Por que não compartilharmos nossas diferenças?

Não se trata de escutar meus depoimentos e agir em oposição a eles numa atitude de fala maniqueísta, na qual eu seria julgado “ruim” e o outro “bom”. A dualidade só é visível nos meus olhos e não nos seus? Será que ela, somente, não nos convida a refletirmos para discernir como nos situamos situarmos?

Por isso vou repetir, como disse a colega Maria, que faço uma única RESERVA no que expus até agora (tanto no anexo PDF, quanto neste texto): que tudo foi fruto unicamente de minha experiência pessoal mesclada a coisas que li num universo que geralmente gera desconfiança sobre as pessoas – a internet. Daí que não tenha as informações minhas como algo absoluto e de todo coerente.

Sinceramente, em determinadas situações eu até percebo que Deus tem muito humor, principalmente quando leio o que as pessoas dizem Dele na net. São um pouco menos despreocupadas preocupadas na escrita, não rebuscam, falam direto o que pensam, embora algumas anonimamente. Infelizmente, fazem isso porque há quem sofra represálias por ser dessa ou doutra religião. Nessas que cometem represálias – o agressor ou agressora! - eu apenas espero a (ação de) transformação. Pois quando o coração de uma pessoa se transforma, o mundo inteiro começa a tremer sobre suas bases e entrar em mutação.

Por fim, escrevo um trecho adaptado de “Teillard de Chardin” [Le milieu divin (O meio divino), p. 51-54]:  

“[...] Deus nos espera a cada instante na ação, na obra do momento. Ele está, de alguma maneira, no final de minha caneta, de minha picareta, de meu pincel, de minha agulha, de meu coração, de meu pensamento”.

       

PS. : Estou encaminhando esta mensagem somente às pessoas das quais sei que não se sentirão ofendidas pelo conteúdo escrito por mim, por serem minhas amigas ou por já ter efetuado outros contados (diretos ou indiretos). Também, devido ao fato de acreditar que a mensagem anterior (abaixo) não foi direcionada a muita gente, como sempre… ou quase sempre acontece, em órgãos públicos, quando não somos da “hierarquia adequada” ou não compactuamos com a mesma fala da “maioria” e, mormente, dos outros com esta hierarquia referida. Enfim, vocês sabem…

Além, é claro, de o ano já estar terminando e não subsistir mais  tempo para eu aguardar por decisões dos outros.


Obrigado pela atenção de todos! Thúlio Jardim.

 



KY - Champagne Mensagem entregue em 28/12/2009:

Título do Assunto - Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo!

Anexo p/ download - Abaixo o Natal e Viva o Ano Novo.PDF




Prezada Maria [nome fictício], tenha um bom dia.

Por favor, receba este arquivo que vem em apenso e que está no formato PDF. Fora eu que o fiz, com a seguinte ressalva: ele foi todo elaborado a partir de minha experiência pessoal e coisas que li na internet. Não o tome, portanto, como algo absoluto e não passível de correção. Eu sou falível como qualquer ser humano. Decidi intitulá-lo desta forma, por conta notadamente do texto de Mário Maestri, o qual se encontra na mesma mensagem.

Se for possível, por gentileza a leve ao conhecimento de todos ou, pelo menos, a parte dos servidores desta autarquia.

Eu agradeço desde já,




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Perfil Completo do Kara Ystúpido: "O Homem Mais Triste do Mundo".


“[...] Ele sabia de sua tristeza e apenas ele podia dizer com absoluta certeza, que era uma tristeza importante. Que ninguém mais sentira, pois ele decidiu toma-la para sempre consigo mesmo. [...]”



O texto a seguir é uma mescla de estória e definição do perfil do Low mais completa, não necessariamente nesta ordem. Assim vocês poderão conhecer quem é este que é o meu melhor amigo. Vou falar em primeira pessoa, como se fosse o próprio! Para ser franco, ele está adoentado e por esta razão ficará sem escrever - exceto para comentar algumas postagens como esta daaui - até a chegada de sua convalescença, pelo menos. Assim, espero que todos gostem, pois tudo fora uma adaptação – acredito que bem-feita! – de O Homem Mais Triste do Mundo. Vamos lá:



KY - Cabisbaixo Olá, meu nome é Low. Não tenho sobrenomes. Nem pai nem  mãe, nem filhos! Embora eu já os tivesse visto. Faz tanto tempo… que eu nem me recordo bem como eram seus rostos. Lembro do meu: pálido, franzino e franzido. Era esquivo, preocupado e bastante tímido... Com um ar frio de quem talvez tivesse nascido num pólo extremo do planeta ou estivesse morando lá, do lado. Andava curvado, como se carregasse um daqueles pianos grandes sobre as costas, pequenas… Fora esta uma das metáforas que o psiquiatra da capital usou e que eu reutilizo aqui. Acho que foi o único acerto que ele conseguiu em vida, não tivemos muita tempo para intimidades, prum maior contato ou colóquio. E, pelo pouco que percebi, ele era um estúpido, se não… um louco. Provocava-me com suas atitudes, aguilhoando em mim o absentismo e um graúdo pessimismo. Este último, muito presente nele, supliciava-me numa guilhotina de pensamentos cortantes de tão tristes. Aquele homem... (era “aquele” por ser distante) nem perto era inteligente e nem de longe parecia educado. Sinceramente, o inferno não podia ser pior que estar com ele, que se achava um convicto santo! Andava manco como se tivesse tropeçado num passado longínquo e até hoje não tivesse se recuperado. E era triste, o homem mais triste do mundo e desesperado, depois de mim.


Entretanto, com a maioria dos outros não era assim. Tanto ele, ao agir bem no tratamento destes, quanto eu... falando-se da acolhida que certas pessoas “comuns” tinham para comigo, ao me ouvir com mais atenção e empatia. Eram meus verdadeiros terapeutas. Com eles, não existia impessoalidade na psicologia, afinal, de que me serviria? Razão porque larguei de vez este negócio de pagar para quem não me distribui conhecimento útil, só me aliena...


O fato mais estranho sobre mim, este ser pálido, esquivo e franzino, de um ar frio e tanto, não era a tristeza ou o fato de ainda estar vivo com ela, mas sim o que ela causava nas pessoas. Ao contrario do que muitos pensariam sobre o homem mais triste do mundo, seu fardo - a tristeza - era na verdade um dom para com os demais ao seu redor. Todos aqueles que tiveram ou terão contato com minha tristeza são ou serão imediatamente tomados por uma majestosa, pacifica e bela felicidade. Transbordante e magnífica, dessas que toda criatura viva no planeta chora e agradece a Deus pela benção dada.


Aí está a grande questão: somente os que tiverem contato comigo, pelo menos um mínimo contato, seriam repletos de contentamento. Certamente o psiquiatra da capital, tamanha era sua ignorância, não notara que estava tão próximo de deixar a infelicidade que estava contaminando a sua pele e a de seus falantes, isto é, pacientes. E realmente tinha de ser paciente, muito paciente…, com aquela criatura desatenciosa.


Era um dom raro o meu [e ele nem percebeu…], desses abençoados, cuja qualquer explicação racional não seria capaz de nivelar sua grandiosidade ao escracho, propriamente dito. Era ao mesmo tempo uma maldição, terrível e trágica, como qualquer outra imposta de algum conto de fada. Era estranho e paradoxal, um desafio lógico a ciência e a humanidade. Era acima de tudo a minha vida e era dessa forma que eu vivia todo dia, sendo triste e fazendo os outros felizes.


Para quem muito sabe, ainda não há uma resposta para esse fenômeno. Entretanto ninguém quer pensar muito sobre o assunto, porque deveras, ninguém é insano de arruinar sua própria felicidade, com alguma resposta. A ignorância era sábia. A ignorância era uma virtude. E era com essa ignorância que todos encaravam aquela situação. Vez ou outra, aparecia alguém que desafiava essa ignorância e piedosamente tentava animar o homem mais triste do mundo, mas toda vez que se aproximava dele, sua ALMA BONDOSA (ressalte-se) era tomada por um espírito supremo de felicidade e todas as dúvidas da vida, tristezas, agonias e dores sumiam magicamente, e então ela se esquecia de seus propósito e apenas sentia-se feliz.


E longe da capital, onde o homem mais triste do mundo vivia, existia a cidade mais feliz do planeta. Não havia corrupção, ganância, intolerância. Nem mesmo assassinos, estupradores ou qualquer outra anomalia da sociedade. Havia apenas e apenas a felicidade. Todos eram felizes - com exceção, claro, do homem mais triste do mundo -, e ninguém queria mais nada.


Toda a felicidade do mundo, toda aquela felicidade que ninguém jamais alcançou, aquela felicidade que nenhuma palavra poderia ser capaz de transmitir ou explicar, fazia com que aquela cidade, além de um lugar completamente feliz, fosse um lugar também quieto e extremamente parado.


Ao longo do tempo todos os habitantes da cidade – com exceção, claro, do homem mais triste do mundo – se tornaram seres incapazes de andar, mover, pensar ou agir. Estavam inertes. Não por alguma deficiência, mas sim, porque para eles não havia objetivo nenhum em fazer tais coisas, uma vez que tinham atingido a suprema felicidade! Para que trabalhar se eu estou feliz? Por que andar ou comer se já estou feliz? Por que fazer qualquer coisa se toda nossa busca por felicidade havia se completado? A felicidade era assustadora.


Enquanto todos eram felizes, eu o homem mais triste do mundo continuava em sua andança, quase que como um eremita no deserto urbano que a cidade se tornou, quase como um profeta apocalíptico no deserto urbano que a cidade se tornou. Andava apenas curvado, manco também e triste. Severamente triste, como ninguém. O homem caminhava totalmente alheio à situação por ele ocasionada. Apenas ele sabia o quão importante era a tristeza e por isso caminhava. Ele não conhecia felicidade. Ele nunca sequer viu alguém sorrir em sua vida, pois nunca levantava a sua cabeça. Ele sabia de sua tristeza e apenas ele podia dizer com absoluta certeza, que era uma tristeza importante. Que ninguém mais sentira, pois ele decidiu toma-la para sempre consigo mesmo.


Contudo, houve um dia em que algum individuo na multidão entendeu o problema da cidade e com brusquidão lhe ocorreu a idéia da importância da tristeza. Porém antes que pudesse avisar alguém, bem antes que pudesse fazer alguma coisa, o homem mais triste do mundo passou perto dele…




FIM 

 

Por Thúlio Jardim em nome de Low. O original é de Maycon Batestin.

 
 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Política de Comentários do Kara Ystúpido


O blog de Thúlio Jardim e Low mantém um sistema de comentários para estimular a troca de ideias e informações entre seus leitores, além de aprofundar os debates sobre assuntos filosóficos, religiosos, poéticos (falei poéticos, não políticos!) e sociais.

Este espaço respeita as opiniões dos leitores, independentemente da corrente ideólógica ou divergência de idéias. Mas o blog tem regras de conduta que devem ser respeitadas e que consideram princípios de moralidade, ética e bons costumes. Não entenda, pois, esta Política de Comentários como uma forma de anular a expressão dos nossos leitores, antes pelo contrário. Preocupamos-nos imensamente com a qualidade das matérias publicadas, como também nos preocupamos de forma similar com a qualidade dos comentários dos nossos leitores. 

Antes de comentar, então, leia e respeite o texto abaixo.


ANTES DE TUDO, O KARA YSTÚPIDO ADORA COMENTÁRIOS

As explanações dos visitantes do blog Kara Ystúpido são extremamente importantes! Fazem-se, antes de mais nada, necessárias para podermos aprimorar o que escrevemos. Cada leitor é ESPECIAL e, por isso, o desejo que tem de se expressar e fazer valer a sua opinião é muito bem-vindo, é fundamental. Os comentários, quase sempre, acrescentam conhecimento aos demais, ao artigo, além disso, e evidentemente levam sentido à comunidade do Kara Ystúpido, elevando-a um novo patamar. Em gostando de comentar, não espere! Sinta-se à vontade de em um, ou em vários posts, externar a sua imagem, seja iniciante ou expert, mostre sucessivamente que tem competência ou pretensão de interatuar. Afinal, a resposta dos leitores é muito importante para se fazer um planejamento adequado das postagens, dos conteúdos, e tudo mais…


AMAMOS, TAMBÉM, OS LINKS DE QUALIDADE

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Enfim, vamos ao…
RESUMO DAS REGRAS DE COMENTÁRIOS DO BLOG:

Para manter este blog organizado, foi criado um conjunto de regras, pedindo a todos os membros que as tenham em consideração.


1 – Critique ideias, não pessoas.

2 – É uma atitude de educação e de respeito ter como norma de conduta ética não atacar nenhuma religião, doutrina, crença, ou os seus seguidores. Ver item 4.a.

3 – Cada utilizador tem direito a se expressar como membro do blog, e as respectivas participações refletem as suas opiniões, sendo cada um, como já citado, totalmente responsável pelos seus conteúdos. Aconselhamos, portanto, que se tenha sentido crítico e racional.

4 – O Blog não aceita comentários que:

  1. Contenham cunho racistas, discriminatórios ou ofensivos de qualquer natureza contra pessoas e instituições;
  2. Configurem qualquer outro tipo de crime de acordo com a legislação do país;
  3. Reúnam informações de natureza pessoal (e-mail, endereço, telefone etc) de terceiros;
  4. Sejam overkill (mensagem gigantesca), tenham argumentação falaciosa e confusa. Que utilizem vocabulário indigno, tortuoso, com erros ortográficos excessivos, ou venham escritos todo em maiúsculas; e
  5. Objetivem incluir qualquer comercial ou propaganda desproposital.

5 – Respeite os direitos de autor! Pois não é permitido a partilha de conteúdos proprietários ou mensagens que fomentem tal postura - salvo autorização do autor.

6 – Aconselhamos que os leitores não exponham os seus dados pessoais ou informação íntima, para salvaguardar a sua privacidade, pois o blog é lido por várias pessoas em todo o mundo, estejam ou não seguindo este site.

7 – Se encontrar algo que considera errado ou ofensivo, ou se for importunado, por favor informe os autores do blog, para podermos agir de acordo com a situação. Para tanto, contacte a equipe usando o formulário "Fale com a gente!".

 

Ainda assim, de acordo com o nosso interesse, nos reservamos o direito de excluir qualquer mensagem, sem aviso prévio! Principalmente aquelas que desrespeitem as regras acima. O leitor que insistir em desrespeitar tais regras será bloqueado do nosso sistema de comentários.

Como sempre vem um engraçadinho dizer que não sabia das regras, acrescentamos um resumo delas no Menu Pop-up que se abre quando da clicagem na opção dos comentários de cada artigo.

Agora vão lá! Comentem muito, e com muita inteligência!!! ;-)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Mapa do Blog

AGUARDE A PÁGINA CARREGAR…



Abaixo, nesta página do Kara Ystúpido ®, você encontrará um arranjo de todos os arquivos escritos por mim e por Low, com os links dos artigos, a data de cada post e as respectivas categorias onde estão arquivados.

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Então, navegue à vontade! Este é o Kara Ystúpido ®.



 

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